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Pênis – Carcinoma – (5ª edição – 2019)

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Fernando Augusto Soares
Isabela Werneck da Cunha

Códigos de topografia

C60 Neoplasia maligna do pênis
C60.0 Prepúcio
C60.1 Glande
C60.2 Corpo do pênis
C60.8 Lesão invasiva do pênis
C60.9 Pênis, não especificado

  1. Identificação e resumo clínico
  2. Dados clínicos relevantes

III. Procedimento

  • Biópsia incisional
  • Biópsia excisional
  • Penectomia parcial
  • Penectomia total
  • Circuncisão
  • Outro (especificar) _________________
  1. Achados macroscópicos

Sítio tumoral (se múltiplos sítios estiverem envolvidos, marcar todos os que se aplicarem)

  • Glande
  • Superfície mucosa do prepúcio
  • Superfície cutânea do prepúcio
  • Sulco coronal (sulco balanoprepucial)
  • Pele do corpo peniano
  • Uretra peniana

Focalidade tumoral

  • Unicêntrico
  • Multicêntrico

Tamanho do espécime ____ cm

Tamanho do tumor: maior dimensão ____ cm

Tipo de prepúcio

  • Longo
  • Médio
  • Curto

Achados macroscópicos do tumor (marcar todos os que se aplicarem)

  • Plano
  • Ulcerado
  • Polipoide
  • Verruciforme
  • Necrose
  • Hemorragia
  • Outros (especificar) _____________

Base tumoral de infiltração

  • Expansiva (base ampla)
  • Infiltrativa, mas bem circunscrita
  • Infiltrativa, irregular
  • Outra (especificar) _____________

Extensão macroscópica do tumor

Na glande

  • O tumor envolve a lâmina própria
  • O tumor envolve o corpo esponjoso
  • O tumor envolve a túnica albugínea
  • O tumor envolve o corpo cavernoso
  • O tumor envolve a uretra distal (peniana)

No prepúcio

  • O tumor envolve a lâmina própria
  • O tumor envolve o darto
  • O tumor envolve a pele prepucial

No corpo do pênis

  • O tumor envolve a pele
  • O tumor envolve o darto
  • O tumor envolve a fáscia de Buck
  • O tumor envolve o corpo cavernoso
  • O tumor envolve a uretra proximal

Avaliação macroscópica das margens de ressecção

  • Não podem ser avaliadas
  • Macroscopicamente não envolvidas
  • Macroscopicamente envolvidas

Apenas para espécimes de penectomia

  • Uretral
  • Tecidos periuretrais (lâmina própria, corpo esponjoso, fáscia de Buck)
  • Corpos cavernosos
  • Fáscia de Buck no corpo do pênis
  • Pele
  • Outras (especificar) ____________

Para espécimes de circuncisão

  • Margem do sulco coronal
  • Margem cutânea
  1. Achados microscópicos

V.1 Tipo histológico

  • Carcinoma de células escamosas
  • Usual (ceratinizante)
  • Basalóide
  • Basalóide, variante papilífera
  • Warty (condilomatoso)
  • Warty (basaloide)
  • Verrucoso
  • Verrucoso, misto ou híbrido
  • Cuniculatum
  • Papilífero, SOE
  • Sarcomatóide
  • Pseudo-hiperplásico
  • Acantolítico (pseudoglandular)
  • Medular
  • Misto
  • Adenoescamoso
  • Carcinoma de células claras
  • Carcinoma neuroendócrino primário
  • Doença de Paget
  • Carcinoma anexial (especificar tipo) _____________
  • Outro (especificar) _____________
  • Carcinoma, tipo não pode ser determinado

V.2 Grau histológico

  • G1 – Bem diferenciado
  • G2 – Moderadamente diferenciado
  • G3 – Pouco diferenciado

V.3 Marcadores prognósticos histológicos

  1. Níveis anatômicos de invasão
  2. Profundidade tumoral ou espessura (mm)
  3. Margens de ressecção
  4. Invasão vascular
  5. Invasão perineural
  6. Índice prognóstico

V.3.1 Níveis anatômicos de invasão

Na glande

  • O tumor envolve a lâmina própria
  • O tumor envolve o corpo esponjoso
  • O tumor envolve a túnica albugínea
  • O tumor envolve o corpo cavernoso

No sulco coronal

  • O tumor envolve a lâmina própria
  • O tumor envolve o darto
  • O tumor envolve a fáscia de Buck

No prepúcio

  • O tumor envolve a lâmina própria
  • O tumor envolve o darto
  • O tumor envolve a pele prepucial

No corpo

  • O tumor envolve a pele
  • O tumor envolve o darto
  • O tumor envolve a fáscia de Buck
  • O tumor envolve o corpo esponjoso
  • O tumor envolve o corpo cavernoso

Outras extensões

  • Uretra peniana distal
  • Uretra proximal
  • Próstata
  • Escroto
  • Pele regional (pubiana, inguinal)

V.3.2 Espessura tumoral/profundidade ____ mm

V.3.3 Margens de ressecção

  • Não podem ser avaliadas
  • Histologicamente não envolvidas
  • Histologicamente envolvidas (especificar) ______________

Apenas para espécimes de penectomia

  • Uretral
  • Tecidos periuretrais (lâmina própria, corpo esponjoso, fáscia de Buck)
  • Corpos cavernosos
  • Fáscia de Buck no corpo do pênis
  • Pele
  • Outras (especificar) _____________

Para espécimes de circuncisão

  • Margem do sulco coronal
  • Margem cutânea

V.3.4 Invasão vascular/linfática (vasos grandes/pequenos)

  • Não identificada
  • Presente
  • Indeterminada

V.3.5 Invasão perineural (ver XII.10)

  • Não identificada
  • Presente
  • Indeterminada

V.3.6 Índice Prognóstico:

  • Baixo Risco para metástases linfonodais: 2-4 pontos
  • Risco Intermediário para metástases linfonodais: 5-6 pontos
  • Risco alto para metástases linfonodais: 7 pontos
  • Grau histológico
    • Bem diferenciado: 1 ponto
    • Moderadamente diferenciado: 2 pontos
    • Pouco diferenciado: 3 pontos
  • Nível Anatômico da Invasão
    • Lâmina própria: 1 ponto
    • Corpo esponjoso/dartos: 2 pontos
    • Corpo cavernoso/pele do prepúcio: 3 pontos
  • Invasão Perineural
    • Ausente: 0 ponto
    • Presente: 1 ponto

 

Achados patológicos adicionais

  • Nenhum identificado
  • Neoplasia peniana intraepitelial (PeIN)
  • Diferenciada
  • Indiferenciada
  • Warty
  • Basaloide
  • Warty/basaloide
  • Mista diferenciada/indiferenciada
  • Focal
  • Multifocal
  • Margens não envolvidas
  • Margens envolvidas (especificar a margem) ___________
  • Outra (especificar) ___________
  • Líquen escleroso
  • Hiperplasia escamosa
  • Condiloma acuminado
  • Outros (especificar) ___________
  1. Estudos auxiliares

Imuno-histoquímica, hibridização in situ, PCR (especificar) ___________

VII. Avaliação dos linfonodos inguinais

Linfadenectomia

  • Biópsia de linfonodo-sentinela
  • Inguinais (superficiais e profundos)
  • Ilíacos externos
  • Ilíacos internos
  • Linfonodos pélvicos
  • Outros (especificar) _____________

Número de linfonodos envolvidos por local _____________

Ruptura capsular

Invasão da gordura perinodal

VIII. Avaliação de secções de congelação

Margens de ressecção

  • Uretra
  • Corpos cavernosos
  • Pele e fáscia do corpo
  • Sulco coronal em espécimes de circuncisão
  • Linfonodos-sentinela
  • Outros linfonodos (especificar) _____________
  1. Estadiamento patológico (pTNM)

T – Tumor primário

  • TX – O tumor primário não pode ser avaliado
  • T0 – Sem evidência de tumor primário
  • Tis – Carcinoma in situ
  • Ta – Carcinoma Epidermóide localizado, não invasivo*
  • pT1:
    • Glande: tumor invade a lâmina própria
    • Pele: Tumor invade a derme, lâmina própria ou a fáscia Dartos
    • Corpo do Pênis: Invade o tecido conjuntivo entre a epiderme e a corpora local
    • Todos os sítios: tumor sem invasão linfovascular, invasão perineural e que não seja de alto grau histológico
  • T1a – O tumor invade o tecido conectivo subepitelial sem invasão linfovascular (ILV), invasão peri-neural e não é pouco diferenciado
  • T1b – O tumor invade o tecido conectivo subepitelial com ILV, invasão peri-neural ou é pouco diferenciado (alto grau histológico)
  • T2 – O tumor invade o corpo esponjoso ou cavernoso com ou sem invasão da uretra
  • T3 – O tumor invade o corpo cavernoso (incluindo a túnica albigínea) independente da invasão uteral
  • T4 – O tumor invade outras estruturas adjacentes (escroto, próstata, osso púbico)

N – Linfonodos regionais

Definição de estágio clínico*

  • cNX – Os linfonodos regionais não podem ser avaliados
  • cN0 – Linfonodos inguinais visíveis ou palpáveis não são vistos
  • cN1 – Linfonodo inguinal móvel palpável unilateral
  • cN2 – Linfonodos inguinais palpáveis móveis maior ou igual a dois unilateral ou bilaterais
  • cN3 – Massa nodal inguinal fixa palpável ou linfadenopatia pélvica unilateral ou bilateral

* Nota: Baseado em palpação e/ou imagens.

Definição de estágio patológico*

  • pNX – Os linfonodos regionais não podem ser avaliados
  • pN0 – Ausência de metástases em linfonodos regionais
  • pN1 – Metástases em um ou dois linfonodo(s) inguinal, sem extensão extra-nodal
  • pN2 – Metástases em três ou mais linfonodos inguinais múltiplos ou bilaterais
  • pN3 – Metástases linfonodais com extensão extranodal ou em linfonodos pélvicos unilaterais ou bilaterais

* Nota: Baseado em biópsia ou excisão cirúrgica.

M – Metástases a distância

  • M0 – Ausência de metástases a distância
  • M1 – Metástases a distância*

* Nota: Metástases em linfonodos fora da pelve verdadeira em adição a sítios viscerais ou ósseos.

Descritor adicional

O sufixo “m” indica a presença de múltiplos tumores primários e é relatado entre parênteses – p. ex., pTa (m) N0M0.

  1. Grupos de estadiamento anatômico/prognóstico

Tabela 1 Grupos de estadiamento anatômico/prognóstico do carcinoma do pênis.

Grupo T N M
Estádio 0is Tis N0 M0
Ta N0 M0
Estádio I T1a N0 M0
Estadio IIA T1b N0 M0
T2 N0 M0
Estádio IIB T3 N0 M0
Estádio IIIa T1-3 N1 M0
Estádio IIIb T1-3 N2 M0
Estádio IV T4 Qualquer N M0
Qualquer T N3 M0
Qualquer T Qualquer N M1

 

  1. Fatores prognósticos específicos

Tabela 2 Fatores prognósticos específicos do carcinoma do pênis.

Requerido para estadiamento Nenhum
Clinicamente significativo Envolvimento do corpo esponjoso
Envolvimento do corpo cavernoso
Porcentagem de tumor que é pobremente diferenciado
Invasão perineural/vascular
Tamanho da maior metástase em linfonodo
Extensão extranodal/extracapsular

 

XII. Comentários gerais

XII.1 Tipos de prepúcio

Há três tipos de prepúcio: curto, quando o orifício prepucial é localizado aquém da corona da glande; médio, quando o orifício está entre a corona e o orifício meatal; longo, quando toda a glande está recoberta e o meato não é identificado sem retrair o prepúcio. Prepúcios fimóticos são longos (Velazquez et al., 2003). A fimose está presente em até metade dos pacientes com carcinoma do pênis (Velazquez et al., 2003) e a sua presença é considerada um fator de risco para o desenvolvimento desse tumor (Daling et al., 2005; Madsen et al., 2008; Tsen et al., 2001).

XII.2 Número de linfonodos envolvidos e extensão da linfadenectomia

Mais de dois linfonodos positivos em uma bacia inguinal aumentam a probabilidade de envolvimento nodal contralateral inguinal e pélvico ipsilateral (Kroon et al.,2005; Lont et al., 2007). A linfadenectomia profilática inguinal contralateral e pélvica ipsilateral é recomendada em tais casos. O número de linfonodos positivos envolvidos também tem impacto na sobrevida (Pandey et al., 2006).

XII.3 Infiltração da base tumoral

Dois padrões são reconhecidos: infiltrativo (blocos de pequenas fitas sólidas de células tumorais infiltrando amplamente o estroma) e infiltração expansiva (células tumorais invadindo em grandes blocos, com interface tumoral-estromal bem definida). O padrão infiltrativo de invasão é associado com maior risco de envolvimento nodal (Guimarães et al., 2006). Carcinomas verrucosos (base larga) devem ser excluídos quando se avalia o impacto prognóstico do padrão de invasão do front tumoral, uma vez que eles não estão associados com metástases nodais.

XII.4 Subtipos histológicos de carcinoma de células escamosas

A maioria é de carcinomas de células escamosas (CCE) se originando do epitélio da mucosa da porção distal do pênis (glande, sulco coronal e superfície mucosa do prepúcio). O CCE do tipo usual (CCE queratinizante) é o mais comum, em 50 a 60% dos casos (Cubilla et al., 2004; Epstein et al., 2011; Velazquez et al., 2009). Há outras variantes distintivas (Cubilla et al., 2004; Velazquez et al., 2009). Os diferentes subtipos se correlacionam com diferentes índices de disseminação regional/nodal e de disseminação sistêmica. Subtipos de câncer do pênis podem ser prognosticamente estratificados em três (Guimarães et al., 2009): o grupo de baixo risco inclui tumores verruciformes, como carcinomas verrucosos, papilíferos e warty/condilomatosos (Cubilla et al., 2000; Cubilla et al., 2001b). Subtipos descritos mais recentemente, como pseudo-hiperplásico e carcinoma cuniculatum do pênis, também pertencem a essa categoria de excelente prognóstico (Barreto et al., 2007; Cubilla et al., 2004). A categoria de alto risco é compreendida por CCE de tipo usual basaloide, sarcomatoide, adenoescamoso e pobremente diferenciado (Cubilla et al., 1996; Cubilla et al., 1998; Velazquez et al., 2005). Há uma categoria com risco metastático intermediário que inclui CCE de tipo usual, algumas neoplasias mistas (como carcinomas verrucosos híbridos) e variantes de alto risco de carcinomas warty/condilomatosos (Cubilla et al., 2000). Outros subtipos recentemente descritos de CCE do pênis são o carcinoma warty-basaloide (Chaux et al., 2009) e a variante papilífera do carcinoma basaloide (Cubilla et al., 2004), ambas relacionadas com HPV.

XII.5 Grau histológico

O grau histológico é um fator preditivo de metástases na virilha e disseminação do câncer do pênis (Chaux et al., 2009ab; Slaton et al., 2001; Velazquez et al., 2008). Os autores recomendam o seguinte método de graduação:

  • Grau 1: é um carcinoma extremamente bem diferenciado, com desvio mínimo da histologia do epitélio escamoso normal/hiperplásico.
    • Grau 2: mostra crescimento mais desorganizado, comparado com lesões grau 1, maior índice núcleo-citoplasma, mitoses evidentes e, embora presente, queratinização menos proeminente.
    • Grau 3: são tumores que mostram qualquer proporção de células anaplásicas, identificadas como lençóis sólidos ou pequenos agregados irregulares, cordões ou ninhos de células com pouca ou nenhuma queratinização, alto índice núcleo/citoplasma, membranas nucleares espessas, pleomorfismo nuclear, comatina grumosa, nucléolo proeminente e numerosas mitoses (Velazquez et al., 2008).

Cada tumor deve ser graduado de acordo com o componente menos diferenciado. Qualquer proporção de células anaplásicas é suficiente para classificar um tumor como grau 3 (Chaux et al., 2009b).

XII.6 Extensão tumoral

Tumores invadindo níveis anatômicos mais profundos do pênis usualmente são associados com maior risco de envolvimento nodal. Há também uma correlação entre infiltração mais profunda e maior grau histológico, embora algumas exceções ocorram (Guimarães et al., 2009). Tumores invadindo o corpo cavernoso têm maior risco de apresentar metástases nodais do que os que invadem apenas o corpo esponjoso (Chaux et al., 2009ab; Leijte et al., 2008) e o tecido erétil mais profundo invadido deve ser claramente reportado no relatório patológico final.

XII.7 Profundidade da invasão

A profundidade tumoral em lesões pequenas é mais bem avaliada seccionando-se o local perpendicularmente em relação ao eixo central do tumor. Para grandes tumores da glande, prefere-se seccionar o espécime longitudinalmente em duas metades, com secções paralelas adicionais de cada metade, usando como eixo a uretra peniana central e ventral. A profundidade da invasão do CCE é medida em milímetros da junção epitelial-estromal do epitélio adjacente não neoplásico até a porção mais profunda da invasão. Em tumores maiores, especialmente nos verruciformes, o sistema mencionado não é aplicável e prefere-se medir a espessura da superfície (excluindo a camada de queratina) até a porção mais profunda da invasão. A profundidade da invasão e a espessura do tumor têm significados equivalentes. Há correlação entre a profundidade da invasão e a evolução nos cânceres do pênis. Risco mínimo de metástases foi relatado para tumores medindo menos de 5 mm de espessura (Emerson et al., 2001; Velazquez et al., 2008).

XII.8 Margens de ressecção

Margens positivas afetam adversamente o prognóstico de pacientes com carcinomas de células escamosas do pênis (Epstein et al., 2011; Velazquez et al., 2004; 2009).

Margens importantes, em espécimes de penectomia parcial, são:

  • Uretra proximal e um cilindro de tecido periuretral circunjacente consistindo de epitélio, lâmina própria, corpo esponjoso e fáscia peniana.
    • Porção proximal do corpo peniano com corpo cavernoso separado e circundado pela túnica albugínea e fáscia de Buck.
    • Pele do corpo peniano com darto corporal subjacente (Velazquez et al., 2004). A margem do sulco coronal e a margem cutânea devem ser inteiramente examinadas quando se avaliam espécimes de circuncisão.

XII.9 Invasão vascular/linfática

A invasão vascular, linfática ou venosa, afeta adversamente o prognóstico do câncer peniano (Ficarra et al., 2005, 2006; Kattan et al., 2006; Lopes et al., 1996; Novara et al., 2007). A classificação de estadiamento TNM (AJCC, 2010) subdivide os tumores T1 em T1a e T1b, com base na ausência ou na presença de invasão linfovascular ou tumores pouco diferenciados (Edge et al., 2010). Êmbolos tumorais em espaços vasculares usualmente estão próximos do front tumoral invasivo, mas podem ser encontrados a distância do tumor primário, na lâmina própria, na fáscia peniana e no tecido conectivo subepitelial periuretral. A invasão venosa indica um estágio mais avançado da doença e está relacionada ao comprometimento das estruturas eréteis especializadas dos corpos esponjoso e cavernoso.

XII.10 Nomogramas, grupos de risco e invasão perineural

Foi desenvolvida uma avaliação prognóstica dos dados clínicos e patológicos usando um nomograma (Ficarra et al., 2006). Os fatores selecionados foram: estádio clínico dos linfonodos, padrão de crescimento microscópico, grau, invasão vascular, invasão dos corpos esponjoso e cavernoso e uretra. A probabilidade de metástases nodais, como prevista pelo nomograma, foi próxima da incidência real de metástases observada no seguimento. Um segundo nomograma para estimar as previsões de sobrevida em 5 anos, usando os mesmos fatores clínicos e patológicos, obteve resultados similares (Kattan et al., 2006).

Mais recentemente, foi demonstrado que a invasão perineural e o grau histológico são os fatores preditivos independentes mais fortes de mortalidade em tumores penianos com espessura de 5 a 10 mm. Para isso, foi construído outro nomograma considerando o valor preditivo de invasão perineural e grau histológico (Velazquez et al., 2008). Sistemas de estratificação de grupos de risco estão disponíveis para prever a probabilidade de envolvimento nodal inguinal e o planejamento terapêutico, e são baseados em uma combinação de grau histológico, nível anatômico mais profundo de infiltração e presença de invasão perineural. Esses fatores são usados para construir o índice prognóstico (Chaux et al., 2009a).

XII.11 Neoplasia intraepitelial peniana

A neoplasia intraepitelial peniana (PeIN) pode ser subclassificada em diferenciada e indiferenciada. A PeIN diferenciada mostra paraqueratose, espessamento epitelial, alongamento dos cones interpapilares, pontes proeminentes, atipia de células basais, núcleos aumentados e nucléolos proeminentes; é frequentemente associada com líquen escleroso; é considerada não relacionada ao papilomavírus humano (HPV), não há coilocitose e a coloração imuno-histoquímica com p16 usualmente é negativa. A PeIN indiferenciada é subclassificada nos tipos basaloide, warty e warty-basaloide. A PeIN basaloide é caracterizada pela substituição do epitélio normal por células pequenas e uniformes com núcleos redondos e citoplasma escasso. Numerosas mitoses e células apoptóticas estão presentes. A PeIN do tipo warty mostra a superfície espiculada com paraqueratose. O epitélio normal é substituído por células marcadamente pleomórficas mostrando coilocitose proeminente. As lesões mistas warty-basaloides não são infrequentes. As PeIN warty e basaloide são lesões relacionadas com HPV, que superexpressam p16. Raramente há combinações de PeIN diferenciada e indiferenciada no mesmo espécime.

XIII. Manuseio do espécime (ver fascículo de tumores do pênis, em Epstein et al., 2011)

XIII.1 Espécime de circuncisão (Figura 1)

Determinar o tipo de prepúcio. Tomar medidas, descrever o espécime e identificar e descrever o tumor. Identificar e pintar as margens mucosa e cutânea com cores diferentes. A maioria dos CCE se origina na superfície mucosa do prepúcio, portanto, a margem (mucosa) do sulco coronal é especialmente importante. Delicadamente distender e fixar o espécime com alfinetes em um cartão. Fixar por várias horas em formalina a 10%, tamponada. Cortar verticalmente todo o espécime, rotulando de 1 a 12, no sentido dos ponteiros do relógio.

                                       Figura 1 Tipos de prepúcio: longo ou fimótico (A), médio (B) e curto (C).

XIII.2 Espécime de penectomia (Figuras 2 a 6)

Tomar as medidas, descrever o espécime e identificar e descrever o tumor. A maioria dos CCE do pênis se origina do epitélio da porção distal do órgão (glande, sulco coronal e superfície mucosa do prepúcio). O tumor pode envolver um ou mais desses compartimentos anatômicos (Cubilla et al., 2001a). Se presente, classificar o prepúcio em (1) curto, (2) médio e (3) longo e/ou fimótico (Velazquez et al., 2003). Cortar a margem proximal de ressecção em face, assegurando-se de incluir a circunferência inteira da uretra. Se a uretra se retraiu, é importante identificar a margem de ressecção e submetê-la inteiramente. A margem de ressecção pode ser dividida em três importantes áreas que necessitam ser analisadas: a pele do corpo peniano com o darto subjacente e a fáscia peniana; os corpos cavernosos com albugínea; e a uretra com um cilindro periuretral que inclua lâmina própria, corpo esponjoso, albugínea e fáscia peniana. A uretra e o cilindro periuretral podem ser colocados em um cassete. A pele do corpo peniano com o darto e a fáscia podem ser incluídos junto com o corpo cavernoso. Como este é um grande espécime, pode ser necessário utilizar vários cassetes para incluir toda a margem de ressecção. Fixar o restante do espécime a noite toda. Quando o espécime estiver fixado, e se o tumor for grande e envolver a maior parte da glande, cortar longitudinal e centralmente, usando o meato e a uretra proximal como pontos de referência. Não sondar a uretra. Separar o espécime em duas metades, esquerda e direita. Então, cortar duas a seis secções seriadas de cada metade. Se o tumor for pequeno e assimétrico, localizado na área ventral ou dorsal, a porção central do tumor pode ser usada como eixo de secção. Se o tumor for grande e envolver vários locais (glande, sulco e prepúcio), é importante não remover o prepúcio, deixando o espécime intacto para ser seccionado.

Figura 2 Representação diagramática de uma penectomia parcial, mostrando o corpo, o prepúcio retraído (PR), o sulco coronal, a glande, o meato uretral, o frênulo e a coroa da glande.
As linhas horizontais indicam os planos de secção.

Figura 3 Níveis anatômicos, indicados por números. Acima, no prepúcio, 1 é a lâmina própria, 2 o darto e 3 a pele do prepúcio. Abaixo, há níveis anatômicos na glande: 1 é a lâmina própria, 2 o corpo esponjoso e 3 o corpo cavernoso.

Em casos de pequenos carcinomas localizados exclusivamente na glande, sem envolvimento do prepúcio, pode-se optar por remover o prepúcio, deixando uma borda redundante de 3 mm ao redor do sulco. Seccionar o prepúcio como indicado para os espécimes de circuncisão. Mesmo que o tumor primário seja localizado na glande, submeter o prepúcio serial e ordenadamente, rotulado de 1 a 12 no sentido dos ponteiros do relógio. O restante do espécime da penectomia deve ser encaminhado como descrito.

Figura 4 Secção longitudinal e central de uma penectomia parcial com um CCE de disseminação superficial (Ca), mostrando a uretra, a glande e o prepúcio. A túnica albugínea separa o corpo esponjoso do corpo cavernoso.

Figura 5 Secção de corte de um diagrama representando uma penectomia parcial com dois tumores (Ca e VC). A seta indica a medida da profundidade do tumor no primeiro e a espessura tumoral no segundo.

Figura 6 Margem de ressecção na uretra e nos tecidos periuretrais. Os sítios usualmente positivos (em 12 pacientes) estão indicados pelas marcas coloridas.

XiV. relatório patológico para o CCe do pênis

O relatório deve conter as seguintes informações: sítio ou sítios do tumor, tamanho (em cm), subtipos histológicos, grau histológico, níveis anatômicos de invasão, espessura do tumor (em mm), fronte de invasão, invasão perineural e vascular, margens de ressecção, lesões neoplásicas e não neoplásicas associadas. O uso de nomogramas, índice prognóstico e outros métodos de agrupar os fatores de risco do paciente é opcional. O estado nodal é detalhado, como segue: número e tamanho, sítio e estado capsular. Todos os linfonodos devem ser incluídos para exame microscópico. A distinção entre linfonodos inguinais superficiais e profundos foi eliminada na última classificação TNM (Edge et al., 2010). Imuno-histoquímica, ISH ou PCR podem ser necessários em alguns casos: carcinomas sarcomatoides, hiperplasia versus PeIN diferenciada, lesões pré-cancerosas ou tumores invasivos HPV versus não HPV-relacionados.

Bibliografia

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Esse capítulo é uma versão revisada e parcialmente modificada da publicação do College American Pathologists Protocol for the examination of specimens from patients with carcinoma of the penis. O protocolo foi baseado no AJCC Cancer Staging Handbook – from the AJCC Cancer Staging Manual. 7. ed. New York: Springer, 2010; e revisado pela doutora Elsa F. Velazquez e pelo doutor Antonio L. Cubilla (autor deste capítulo).

 

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