8/7/2016 17:03:10 -  Passo a passo da biópsia: o caminho do seu exame até o microscópio

No texto anterior, conhecemos a Paula (Clique AQUI), uma paciente de 42 anos que descobriu um nódulo endurecido em sua mama direita enquanto realizava o autoexame. Com medo do que poderia ser, ela marcou uma consulta de urgência com seu médico, que solicitou uma série de exames clínicos, incluindo exames de sangue, uma nova mamografia e também uma biópsia, o que fez Paula ficar com ainda mais medo.

Ela foi encaminhada para um serviço especializado e a equipe médica explicou que esse é um procedimento muito comum e extremamente importante na prática médica. Além de evitar cirurgias desnecessárias, a biópsia permitiria a coleta de uma amostra tecidual do nódulo a ser estudada, determinando se a alteração era maligna ou benigna, além de sua agressividade e estágio.

Mais confiante, Paula compareceu à clínica para a realização do exame, onde foi instruída e acalmada pela equipe. Ela permaneceu deitada na mesa de exame para um procedimento que, como ela já sabia após procurar na internet, é chamado de biópsia por agulha. Paula pôde acompanhar todas as etapas que aprendeu após ler e reler matérias e textos técnicos: após a desinfecção da pele e a aplicação de uma anestesia local, uma agulha fina seria introduzida até chegar na lesão para absorver algumas células da região.

A amostra do nódulo retirada foi colocada imediatamente naquilo que os médicos chamam de fixador adequado, uma solução química composta por uma concentração específica de formol tamponado que serve para preservar as células do tecido retirado até ser encaminhado ao laboratório de patologia.  Ela não sabia, mas a qualidade desta etapa de fixação seria fundamental para os testes que seriam aplicados à amostra para determinar o tipo do tumor e definir o melhor tratamento.

Após chegar em casa, ela sabia que teria que aguentar a ansiedade por bastante tempo, então se ocupou lendo sobre o que aconteceria com aquela parte dela que tinha sido encaminhada para análise. Ela descobriu que essa amostra permaneceria no fixador à temperatura ambiente por um período entre 12 e 24 horas, não podendo ficar assim mais de 48 horas. Após essa fixação, ela seria primeiramente examinada a olho nu pelo médico patologista, uma etapa conhecida como macroscopia. Esse profissional iria analisar a peça para descrever seu formato e eventuais alterações que pudessem indicar algum crescimento fora do normal.

Depois disso, seria a vez da etapa chamada de processamento histológico, em que o material seria submetido a uma sequência de produtos químicos que o preparariam para ser cortado em fatias muito finas, de três a cinco micrômetros, ou seja, cerca de 200 vezes mais fina que 1 milímetro. Este corte seria colocado em uma lâmina de vidro, corado, protegido com uma lamínula de vidro e encaminhado para análise no microscópio pelo médico patologista.

Para emitir o seu laudo, o patologista ainda teria que analisar a amostra minuciosamente. Longe de ser um diagnóstico automatizado, impresso rapidamente por uma máquina, ele levaria tempo e diversas etapas. Só depois disso o especialista poderia entrar com seus anos de experiência e estudo para comparar as imagens obtidas com tudo o que aprendeu para emitir seu parecer.

Na semana que vem você vai saber como o patologista realiza essa análise para chegar ao seu diagnóstico e acompanharemos a entrega do laudo para o médico da Paula. Não perca!

 

Fonte: Dr. Victor Piana de Andrade – patologista e diretor médico do A.C. Camargo Cancer Center e coordenador do PICQ da SBP.



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