7/5/2015 11:00:01 -  Importância da biópsia endoscópica gastrointestinal

O tubo digestivo (esôfago, estômago e intestino) é composto por um conjunto de órgãos tubulares onde o alimento é deslocado através de contrações de sua parede. Ele é revestido internamente por uma camada interna que chamamos de mucosa gastrointestinal.

No esôfago a mucosa é constituída por epitélio com função protetora e no estômago e intestino ela é constituída principalmente por glândulas que auxiliam na digestão e absorção de alimentos provenientes da dieta.  

Na área médica a importância desta camada mucosa deriva do grande número de doenças que aí ocorrem, por exemplo: esofagite de refluxo, gastrite, úlcera do estômago, úlcera duodenal, câncer do estômago, câncer do intestino, etc. O diagnóstico de muitas dessas doenças depende frequentemente de exames de laboratório de amostras de tecidos retirados da camada mucosa. Essas amostras da mucosa são retiradas através do exame de endoscopia. É o que chamamos de “biópsias endoscópicas gastrointestinais”. O médico patologista é o responsável pelo exame dessas biópsias. E muitas vezes é ele quem dá o diagnóstico final das doenças que ocorrem no trato gastrointestinal. É o chamado “diagnóstico histopatológico” que consiste no exame microscópico dos fragmentos de biópsias retiradas do paciente.

O diagnóstico histopatológico de muitas dessas doenças é importante para o tratamento adequado do paciente. Até mesmo para salvar a vida do paciente que pode estar com um câncer inicial na mucosa, ainda pequeno. Os tumores malignos do tubo digestivo, na sua grande maioria, ocorrem na camada mucosa. No início são localizados apenas na mucosa.  Nesta fase, a maioria deles ainda não acometeu outros órgãos do organismo e podem nem apresentar sintomas. Esse é um dos motivos pelos quais os exames endoscópicos do trato gastrointestinal tornaram-se hoje exames muito frequentes. Esses exames permitem ao endoscopista visualizar lesões suspeitas, ainda pequenas, e retirar biópsias para o exame histopatológico. Entre outras possibilidades, a análise do patologista vai confirmar se é uma lesão benigna (tumor benigno) ou uma lesão maligna (tumor maligno). Se a lesão for maligna, mas ainda pequena, pode ser retirada com o próprio aparelho de endoscopia, sem causar muito transtorno para o paciente. Se o tumor estiver numa fase mais avançada deve ser tratado com cirurgia mais radical.

Nos dias atuais houve um grande progresso em relação ao diagnóstico e tratamento das doenças da mucosa gastrointestinal. Isto se deve muito às novas técnicas de exame endoscópico e dos novos conhecimentos aplicados aos exames histopatológicos das biópsias endoscópicas.  Este progresso acaba atingindo o próprio paciente porque permite o diagnóstico correto e um melhor tratamento de muitas doenças do tubo digestivo as quais, em outras condições, poderiam evoluir de forma indesejável para o paciente.

Prof. Dr. Alfredo J.A. Barbosa – Departamento de Patologia, FM – UFMG



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