Brasil tem apenas 4,4 mil patologistas para diagnosticar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano
Congresso que acontece em Salvador, de 12 a 15 de agosto de 2026, reunirá especialistas para discutir estratégias de formação de novas gerações de patologistas e ampliar o acesso ao diagnóstico do câncer no Brasil.
O Brasil conta atualmente com apenas 4.424 médicos patologistas, o equivalente a 2,08 especialistas para cada 100 mil habitantes – número considerado insuficiente para atender à crescente demanda por diagnósticos de câncer no país. O déficit desses profissionais está entre os principais temas do 35º Congresso Brasileiro de Patologia e do 28º Congresso Brasileiro de Citopatologia, promovidos pela Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e pela Sociedade Brasileira de Citopatologia (SBC). O evento será realizado entre os dias 12 e 15 de agosto, em Salvador, e reunirá mais de mil participantes, entre patologistas, residentes, estudantes de Medicina e pesquisadores brasileiros e internacionais.
Além da escassez de especialistas, a Patologia enfrenta outro desafio: a forte concentração dos profissionais nas regiões mais desenvolvidas do país.
De acordo com a Demografia Médica 2025, São Paulo reúne 1.468 patologistas, mais de um terço (33%) de todos os especialistas em atividade no Brasil. Na Bahia, são 275 profissionais, cenário que ilustra a dificuldade de ampliar o acesso ao diagnóstico especializado fora dos grandes centros urbanos. A distribuição desigual dos patologistas contribui para atrasos na confirmação diagnóstica, especialmente em regiões com menor oferta de serviços, comprometendo o início oportuno do tratamento de pacientes com câncer.
A escassez desses profissionais compromete diretamente a capacidade do sistema de saúde de oferecer diagnósticos rápidos e precisos. São os patologistas que analisam tecidos e células por meio de exames anatomopatológicos, imuno-histoquímicos e moleculares, identificam diferentes tipos de câncer e fornecem informações essenciais para orientar a conduta terapêutica de cada paciente.
Um dos principais eixos do Congresso será justamente discutir estratégias para ampliar a formação de novos especialistas e aproximar estudantes de Medicina da Patologia.
Segundo a vice-presidente para Assuntos Acadêmicos da SBP, Dra. Marina de Brot, a programação científica dará destaque às iniciativas voltadas ao ensino, como o Fórum de Ensino em Patologia (FEP), o encontro das Ligas Acadêmicas, o programa SBP Inspira, além de gincanas educativas e outras atividades destinadas ao fortalecimento do diálogo com residentes e graduandos.
Atualmente, cerca de uma em cada três vagas de residência em Patologia permanece sem ocupação no Brasil, segundo dados da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM/MEC).
“Sabemos que existe um número reduzido de patologistas no Brasil e no mundo. Por isso, tanto a SBP quanto o Congresso desenvolvem diversas ações para despertar o interesse dos estudantes de Medicina pela especialidade e contribuir para a formação das próximas gerações de patologistas”, afirma.
Demanda crescente – A necessidade de ampliar a formação de patologistas torna-se ainda mais urgente diante do aumento da incidência de câncer no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o país deverá registrar aproximadamente 781 mil novos casos por ano. Cada um desses pacientes dependerá da atuação do patologista para que a doença seja corretamente identificada e o tratamento mais adequado possa ser definido.
Embora a legislação brasileira determine que pessoas com suspeita de câncer tenham direito à realização dos exames diagnósticos em até 30 dias, conforme estabelece a Lei nº 13.896/2019, especialistas alertam que ainda persistem gargalos relacionados à disponibilidade de profissionais e à capacidade diagnóstica dos serviços de saúde. O atraso na confirmação da doença pode repercutir diretamente no início do tratamento e, consequentemente, nas chances de melhores desfechos clínicos.
Para o presidente da SBP, Dr. Gerônimo Jr., enfrentar esse cenário exige investimento contínuo na formação de novos profissionais.
“O futuro do diagnóstico do câncer depende da formação de uma nova geração de patologistas. Nosso compromisso é fortalecer o ensino da especialidade e ampliar o acesso da população a diagnósticos cada vez mais precisos e oportunos”, conclui.
Durante os quatro dias de programação, a Sociedade Brasileira de Patologia disponibilizará especialistas para entrevistas presenciais e remotas sobre formação de patologistas, distribuição da especialidade no Brasil, ensino médico, residência, Lei dos 30 Dias, acesso ao diagnóstico especializado e outros temas relacionados ao cuidado oncológico.
Serviço
35º Congresso Brasileiro de Patologia e 28º Congresso Brasileiro de Citopatologia
Data: 12 a 15 de agosto de 2026
Local: Centro de Convenções de Salvador (Av. Octávio Mangabeira, n. 5.490, Boca do Rio, Salvador/BA)
Especialistas disponíveis para entrevistas sobre:
- déficit de patologistas e distribuição regional da especialidade;
- formação médica e atração de novos profissionais para a Patologia;
- impacto da escassez de patologistas no diagnóstico do câncer;
- desafios para ampliar o acesso ao diagnóstico especializado no SUS;
- Lei dos 30 Dias e os desafios para a confirmação diagnóstica;
- ensino, residência médica e perspectivas para a formação de novos patologistas.
MAIS INFORMAÇÕES À IMPRENSA
RS Health – Vinícius Lima – viniciuslima@agenciars.co | (11) 96616-7167