Informações para a população (Releases)

Setembro Dourado

Categoria: Informações para a população (Releases) Publicado por: atendimento Publicado em: 15/09/2026

Setembro Dourado

Dor de cabeça e vômitos persistentes em crianças e adolescentes podem ser sinais de tumor do sistema nervoso central

Tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) estão entre os cânceres mais frequentes na infância e adolescência; especialistas alertam para os sintomas e explicam por que identificar com precisão o tipo e o subtipo da doença é fundamental para definir o tratamento.

Uma dor de cabeça pode parecer apenas uma dor de cabeça. Náuseas, vômitos ou uma mudança no equilíbrio também podem acompanhar diferentes situações comuns da infância e da adolescência. Mas, quando esses sintomas persistem, tornam-se progressivos ou aparecem associados a alterações da visão e outros déficits neurológicos, é importante procurar avaliação médica. Embora existam inúmeras causas possíveis, esses também estão entre os sinais que podem estar associados aos tumores do sistema nervoso central (SNC), que atingem estruturas como cérebro, cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal.

Embora os cânceres infantojuvenis sejam raros quando comparados aos que acometem adultos, os tumores do SNC têm importância particular nessa faixa etária. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), eles correspondem a cerca de 20% das neoplasias entre zero e 19 anos e constituem o grupo de tumores sólidos mais frequente na população pediátrica.

“O panorama das neoplasias pediátricas mostra que os tumores do sistema nervoso central ocupam um lugar de destaque entre as causas de adoecimento e mortalidade por câncer na infância e adolescência. Por isso, é importante que os sinais de atenção sejam conhecidos e, diante de uma suspeita, que a criança ou o adolescente tenha acesso à investigação adequada”, explica o Dr. Pedro Henrique Pinto, médico patologista responsável técnico do Hospital da Criança de Brasília José Alencar e membro da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

A agilidade nessa investigação é especialmente importante porque o câncer infantojuvenil apresenta características diferentes das neoplasias que acometem adultos. Para a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Dra. Mariana Michalowski, reconhecer os sinais e buscar atendimento diante de alterações persistentes pode fazer diferença no tratamento.

“Quanto antes conseguimos identificar a doença, maiores são as chances de que a criança ou o adolescente esteja menos adoecido, com uma doença mais localizada, o que significa um tratamento menos intensivo. O câncer da infância e da adolescência é uma doença curável”, explica a médica oncologista pediátrica, que também é professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

“Tumor cerebral” não é uma única doença – Quando um exame de imagem identifica uma massa no sistema nervoso central, uma nova pergunta passa a ser decisiva: que tumor é esse? Falar genericamente em “tumor cerebral” esconde um conjunto bastante diverso de doenças, que podem apresentar comportamentos, prognósticos e tratamentos muito diferentes.

Entre os tumores de maior relevância clínica nessa faixa etária estão os gliomas de baixo grau, como o astrocitoma pilocítico, além do meduloblastoma e dos ependimomas. A diferença entre eles não é apenas uma questão de nomenclatura. Um astrocitoma pilocítico, por exemplo, apresenta crescimento lento e pode, em determinados casos, ser tratado apenas com a retirada cirúrgica. Já o meduloblastoma é mais agressivo e costuma exigir uma combinação de cirurgia, quimioterapia e, muitas vezes, radioterapia.

“Diagnosticar especificamente cada tipo e subtipo faz diferença prática. Estamos falando de tumores com comportamentos biológicos diferentes e que podem exigir estratégias terapêuticas também muito distintas”, afirma o Dr. Pedro.

É nesse caminho entre encontrar uma lesão e compreender exatamente qual doença está diante da equipe médica que o patologista assume um papel central. A ressonância magnética permite visualizar a massa, sua localização e extensão. Já a análise do tecido obtido por biópsia ou ressecção permite definir o tipo e o subtipo do tumor.

Essa análise hoje vai muito além de observar células ao microscópio. A definição dos tumores do SNC reúne características morfológicas e imuno-histoquímicas, além de outras informações necessárias à classificação da doença.

“Além disso, a distinção entre subtipos com perfis moleculares diferentes tem hoje papel fundamental e pode determinar desde a extensão da cirurgia até a intensidade do tratamento sistêmico. Sem uma definição patológica precisa, não há um guia terapêutico seguro”, explica o Dr. Pedro.

Com essas informações, a equipe estabelece a estratégia mais adequada para cada criança ou adolescente. “O tratamento do câncer infantojuvenil pode combinar diferentes abordagens, como quimioterapia, cirurgia e radioterapia em casos selecionados e, mais recentemente, terapias-alvo e imunoterapias”, explica a Dra. Mariana.

Diagnóstico pode trazer informações importantes também para a família – Em alguns casos, descobrir exatamente qual tumor afeta uma criança ou adolescente pode revelar algo que ultrapassa a própria doença. Algumas neoplasias do SNC estão associadas a síndromes genéticas de predisposição ao câncer. Quando essa relação é identificada, a informação pode modificar o acompanhamento do paciente e indicar a necessidade de aconselhamento genético, vigilância específica e, em determinadas situações, avaliação de outros integrantes da família.

“Algumas dessas neoplasias carregam predisposição genética e outras não, o que reforça a importância de classificar e subclassificar os tumores com precisão”, explica o Dr. Pedro.

A Dra. Mariana ressalta que essas situações representam uma parcela minoritária dos cânceres da infância e adolescência. Embora algumas doenças genéticas aumentem a predisposição ao câncer, a especialista destaca a importância do acompanhamento médico quando há histórico familiar.

No Setembro Dourado, os especialistas reforçam duas mensagens que caminham juntas: conhecer os sinais e procurar avaliação médica quando persistentes, sem transformar sintomas comuns da infância e adolescência em motivo de alarme; e, diante de um tumor, chegar a um diagnóstico preciso, capaz de orientar a equipe na escolha do tratamento mais adequado para cada criança ou adolescente.

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