Útero – Colo Uterino

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AUTORES

Natália Biagioni de Lima e Rafael Bispo Paschoalini

I. Introdução

Esta revisão incorpora a 5ª edição da Classificação de Tumores da OMS (WHO Classification of Tumours – Female Genital Tumours, 2020), o conjunto de dados do International Collaboration on Cancer Reporting (ICCR) para carcinoma do colo do útero, o protocolo do College of American Pathologists (CAP) para carcinomas do colo do útero (versão mais recente disponível), bem como o sistema de estadiamento da FIGO para câncer do colo do útero (2018, com atualizações vigentes) e o estadiamento AJCC/UICC 8ª edição. As principais atualizações de nomenclatura, critérios diagnósticos e itens obrigatórios do laudo anatomopatológico estão assinaladas ao longo do texto.

II. Código de Topografia

  • C53 Neoplasia maligna do colo útero, sem outras especificações (SOE)
  • 0 Endocérvix
  • 1 Ectocérvix
  • 8 Lesão invasiva do colo do útero
  • 9 Colo do útero, não especificado

III. Identificação

  • Dados pessoais da paciente
  • Número de identificação do material no laboratório
  • Data de recebimento do material no laboratório
  • Nome do local de origem / solicitante
  • Nome do médico responsável pela coleta

IV. Informações Clínicas

Estudo citológico

  • Não realizado
  • Diagnóstico ___________
    Data ___ /___ /___

Estudo biomolecular (pesquisa para papilomavírus humano – HPV)

  • Não realizado
  • Sim (especificar) ___________

Tratamento prévio

  • Não
  • Sim (especificar) ___________

Colo de aspecto tumoral

  • Não
  • Sim

V. Exame Macroscópico

Procedimento cirúrgico

  • Cone por alça (LEEP)
  • Cone por alça (LEEP) acompanhado de fragmento de reforço de canal endocervical
  • Cone a frio
  • Traquelectomia
  • Histerectomia simples
  • Histerectomia associada a
    • Salpingectomia bilateral
    • Salpingectomia direita
    • Salpingectomia esquerda
    • Ooforectomia bilateral
    • Ooforectomia direita
    • Ooforectomia esquerda
    • Exenteração pélvica
    • Omentectomia
    • Ressecção vaginal
    • Parametrectomia
    • Outro (especificar procedimento) ________________

Exame macroscópico do cone de colo do útero

O espécime mais comum em patologia cervical é a peça de conização, tanto por alça como a frio. O exame de todo o cone é fundamental para definir o diagnóstico e para orientar a conduta do cirurgião, podendo ser o tratamento definitivo.

Dimensões do espécime: medidas do cone ___ x ___ cm de base e ____ cm de altura

Peso do espécime ____ g

Forma do espécime __________________

Nota: Se houver mais um fragmento correspondente ao reforço de canal, deve ser medido e orientado quanto à topografia das margens (cranial ou distal).

Tumor

  • Não identificável macroscopicamente
  • Único
  • Múltiplos
  • Maior dimensão ____ cm
    • Padrão
  • Ulcerado
  • Plano
  • Exofítico
  • Outro (especificar) ___________

Processamento macroscópico do cone

Frequentemente os cones estão marcados com fio cirúrgico às 12 horas, para orientação da secção.

Antes de cortar a peça, as margens endocervicais e ectocervicais devem ser pintadas em cores diferentes (p. ex., margem endocervical pintada com tinta nanquim verde, margem ectocervical anterior com tinta azul e margem ectocervical posterior com tinta preta).

O colo uterino deve ser seccionado longitudinalmente das 9 horas às 3 horas (ou das 3 horas às 9 horas) e margens laterais de 3h e 9h podem ser seccionadas perpendicularmente (vide imagem abaixo).

Os cones por alça podem ser enviados fragmentados, o que dificulta a avaliação das margens

Os fragmentos devem ser examinados com cuidado na tentativa de fornecer a melhor informação possível; porém, devem ficar registradas na descrição macroscópica as dificuldades encontradas no reconhecimento das margens.

Exame macroscópico de histerectomia por neoplasia de colo do útero

Medidas do espécime ___ x ___ x ___ cm

Manguito vaginal mede ____ cm

Peso (histerectomia) ____ g

Forma do colo _________________________

Tumor:

  • Não identificável macroscopicamente
  • Único
  • Múltiplos
  • Maior dimensão ____ cm
  • Padrão
  • Ulcerado
  • Plano
  • Exofítico
  • Outro (especificar) _____________

Medidas do tumor ___ x ___ x ___ cm

Profundidade máxima de invasão à macroscopia ____ mm

Localização do tumor

  • Esquerda
  • Direita
  • Anterior
  • Posterior
  • Ectocérvix
  • Endocérvix
  • Junção escamocolunar (JEC)
  • Lesão polipoide

Margem de ressecção macroscopicamente livre

Distância do tumor à margem mais próxima _____ mm

Margem de ressecção macroscopicamente comprometida pelo tumor

Extensão do tumor a outras estruturas

  • Útero
    • Istmo
    • Endométrio
    • Miométrio
  • Terço proximal da vagina
  • Terço distal da vagina
  • Paramétrio direito
  • Paramétrio esquerdo

Linfonodos (LN) enviados em grupos separados conforme as cadeias:

  • Não identificados macroscopicamente
  • Paracervical direita e esquerda: número de LN _____; medidas dos LN: o maior mede ____ cm; o menor mede ____ cm
  • Parametrial direita e esquerda: número de LN _____; medidas dos LN: o maior mede ____ cm; o menor mede ____ cm
  • Obturadora direita e esquerda: número de LN _____; medidas dos LN: o maior mede ____ cm; o menor mede ____ cm
  • Ilíaca interna direita e esquerda: número de LN _____; medidas dos LN: o maior mede ____ cm; o menor mede ____ cm
  • Ilíaca externa direita e esquerda: número de LN _____; medidas dos LN: o maior mede ____ cm; o menor mede ____cm
  • Ilíaca comum direita e esquerda: número de LN _____; medidas dos LN: o maior mede ____ cm; o menor mede ____ cm
  • Pré-sacral: número de LN _____; medidas dos LN: o maior mede ____ cm; o menor mede ____ cm
  • Sacral: número de LN _____; medidas dos LN: o maior mede ____ cm; o menor mede ____ cm
  • Outra (especificar) _____________; medidas dos LN __________

Processamento macroscópico da histerectomia

A histerectomia por carcinoma de colo do útero pode incluir o segmento superior da vagina ou o manguito vaginal.

Antes de recortar a peça, deve-se pintar com tinta nanquim a margem de ressecção ectocervical ou o manguito vaginal, se for o caso. Toda a margem de ressecção deve ser estudada histologicamente.

Retirar os paramétrios direito e esquerdo, identificando-os e incluindo-os na totalidade.

Se o diagnóstico anterior à histerectomia foi de Lesão intraepitelial escamosa (SIL) / Neoplasia intraepitelial cervical (NIC) ou carcinoma superficialmente invasivo, não deve existir lesão tumoral no colo do útero à macroscopia e todo o colo deve ser encaminhado para o exame histológico. Deve ser feita a amputação do colo e a ressecção de toda a peça, de maneira semelhante à realizada na conização.

Se existir lesão tumoral visível macroscopicamente no colo do útero, deve ser medida nos maiores eixos e amostrado um ou mais fragmentos dessa área em toda a espessura para exame microscópico. Além disso, devem ser representados um fragmento de cada quadrante do colo, um fragmento da transição colo-corpo do útero (istmo), um do endométrio e fragmentos de outras alterações concomitantes.

VI. Exame microscópico

Tipo histológico segundo a última edição da OMS e pelos respectivos códigos internacionais de doenças

A classificação histológica abaixo segue a Classificação de Tumores da OMS (5ª edição, 2020) e o Protocolo do CAP para Carcinoma do Colo do Útero (Cervix v5.1.1.0, 2023), com estadiamento FIGO 2018 e AJCC/UICC 9ª versão (2020).

Neoplasia escamosa

  • Carcinoma de células escamosas, HPV-associado (8085/3)
  • Carcinoma de células escamosas, HPV-independente (8086/3)
  • Carcinoma de células escamosas, SOE (aceitável quando pesquisa de HPV ou p16 não disponível) (8070/3)

Nota 1 (OMS 2020/CAP): a maioria dos carcinomas escamosos do colo do útero é HPV-associado. Recomenda-se a pesquisa de p16 e/ou a tipagem molecular de HPV antes de firmar o diagnóstico de carcinoma escamoso HPV-associado. Quando esses resultados não estiverem disponíveis, deve-se utilizar a categoria “SOE”.

Nota 2: Carcinoma de células escamosas superficialmente invasivo (pT1a1) (CAP/FIGO): A definição de carcinoma de células escamosas superficialmente invasivo (SISCCA, superficially invasive squamous cell carcinoma) da Terminologia Escamosa do Trato Anogenital Inferior (LAST) está em conformidade com o T1a1/FIGO IA1 e corresponde ao que anteriormente era descrito como carcinoma de células escamosas “microinvasivo”. O consenso LAST recomenda que o SISCCA inclua os casos de doença multifocal e que o laudo informe a presença, o número e o tamanho dos focos carcinomatosos multifocais independentes. Os tumores multifocais devem ser definidos como focos invasivos separados por um bloco de tecido no qual não haja evidência de invasão, como focos invasivos localizados no mesmo bloco de tecido, mas separados por mais de 2,0 mm, ou como focos invasivos localizados em lábios cervicais diferentes. Recomenda-se que os tumores multifocais sejam estadiados com base no maior foco invasivo.

Neoplasia glandular

  • Adenocarcinoma invasivo, SOE (8140/3)
  • Adenocarcinoma invasivo, HPV-associado (8483/3)
  • de tipo usual
  • de tipo mucinoso
    • SOE (sem outra especificação) (8140/3)
    • rico em células caliciformes
    • rico em células em anel de sinete
    • ISMC (carcinoma invasivo estratificado produtor de mucina)
    • Adenocarcinoma invasivo, HPV-independente, SOE (8140/3)
    • Adenocarcinoma invasivo, HPV-independente, de tipo gástrico (8482/3)
    • Adenocarcinoma invasivo, HPV-independente, de tipo células claras (8310/3)
    • Adenocarcinoma invasivo, HPV-independente, de tipo mesonéfrico (9110/3)

Outros tumores epiteliais

  • Carcinoma adenoescamoso (8560/3)
  • Carcinossarcoma (8980/3)
  • Carcinoma adenoide basal (8098/3)
  • Carcinoma mucoepidermoide (8430/3)
  • Carcinoma inclassificável (8020/3)
  • Tumores neuroendócrinos
    • grau 1 (8240/3)
    • grau 2 (8240/3)
    • Carcinoma neuroendócrino de pequenas células (8041/3)
    • Carcinoma neuroendócrino de grandes células (8013/3)
  • Carcinoma neuroendócrino de pequenas células combinado (8045/3)
  • Carcinoma neuroendócrino de grandes células combinado (8013/3)

Nota (OMS 2020): os tumores neuroendócrinos do colo do útero são divididos em tumor neuroendócrino de baixo grau (graus 1 e 2) e carcinoma neuroendócrino de alto grau (carcinoma neuroendócrino de pequenas células e de grandes células, ambos de alto grau/grau 3), além da categoria mista (Carcinoma misto com carcinoma neuroendócrino). Os carcinomas neuroendócrinos de alto grau são tipicamente HPV-associados, mais frequentemente aos subtipos 16 ou 18.

Grau histológico

Uma grande variedade de sistemas de graduação, incluindo alguns que avaliam apenas o grau de diferenciação tumoral e outros que, além disso, avaliam a margem do tumor, a extensão do processo inflamatório e a invasão vascular, tem sido utilizada para os carcinomas escamosos do colo do útero. Entretanto, não há um consenso da literatura de que esses sistemas sejam reproduzíveis ou que apresentem alguma informação prognóstica importante. Atualmente, a graduação é considerada opcional.

Carcinomas escamosos invasivos não são graduados

Para os adenocarcinomas, a classificação sugerida leva em conta a arquitetura do tumor (áreas glandulares, papilíferas e sólidas) e os aspectos nucleares

  • G1 – Adenocarcinoma com pequeno componente de padrão sólido (até 5% da neoplasia) e leve a moderada atipia nuclear
  • G2 – Adenocarcinoma intermediário entre os graus 1 e 3
  • G3 – Adenocarcinoma de padrão sólido predominante (mais de 50% da neoplasia), com intensa atipia nuclear

Profundidade de invasão

Especificar em mm:

  • Menor que 3 mm
  • Entre 3 e 5 mm
  • Maior que 5 mm

Medida da profundidade (FIGO 2018/AJCC 9ª ed.): a profundidade de invasão é medida a partir da base do epitélio de origem (superfície ou cripta glandular acometida por lesão de alto grau/HSIL) até o ponto mais profundo de invasão. Quando o foco invasor não é contíguo ao epitélio displásico, mede-se do foco invasor mais profundo até a base da cripta ou epitélio de superfície mais próximo. Em tumores exofíticos, mede-se a espessura do tumor (da superfície ao ponto mais profundo), o que deve ser explicitado no laudo.

Extensão horizontal/lateral: passou a ser elemento opcional. Não faz mais parte do estadiamento AJCC 9ª versão e não é mais utilizada para o subestadiamento dos tumores no estádio I pela FIGO 2018 (antes, o limite de 7 mm definia IA). A coleta do dado ainda é encorajada para fins prognósticos.

Extensão em terços: recomenda-se, quando possível, informar a profundidade de invasão estromal em terços (terço superficial, médio ou profundo), dado utilizado como orientador de conduta clínica (NCCN).

Padrão de invasão de Silva (aplicável apenas aos adenocarcinomas endocervicais invasivos HPV-associados)

  • Padrão A: glândulas bem delimitadas e arredondadas, frequentemente agrupadas, sem invasão estromal destrutiva, sem células isoladas/destacadas e sem invasão linfovascular; arquitetura cribriforme ou papilar é aceitável, mas não há crescimento sólido.
  • Padrão B: invasão estromal destrutiva localizada (limitada/precoce), com brotamentos de pequenas glândulas ou células individuais em estroma focalmente desmoplásico ou inflamado; sem crescimento sólido; invasão linfovascular pode ou não estar presente.
  • Padrão C: invasão estromal destrutiva difusa, com glândulas confluentes/infiltrativas e resposta desmoplásica extensa, padrão confluente ou sólido; invasão linfovascular pode ou não estar presente.

Nota: o sistema de Silva estratifica o risco de metástase linfonodal: o padrão A associa-se a estádio I com linfonodos negativos; o padrão B raramente apresenta metástase linfonodal; e o padrão C é o de maior risco.

Outros tecidos / órgãos envolvidos

  • Não aplicável
  • Não identificado
  • Paramétrio
  • Vagina (terços superiores ou inferior)
  • Parede pélvica
  • Parede vesical
  • Outro(s) (especificar) _______________

Invasão linfática e/ou vascular

  • Ausente
  • Presente
  • Não avaliável
  • Equívoco/duvidoso (explicar)

Nota: quando houver dificuldade interpretativa (artefato de retração, transferência artefatual de células, foco suspeito porém não definitivo), pode-se classificar como “equívoco” ou “não avaliável”, acompanhado de nota explicativa, pois pode orientar a conduta.

Margens

  • Margens negativas para carcinoma invasivo / HSIL ou AIS
    Margens mais próximas (ectocervical, vaginal, radial ou endocervical) – dar a distância em mm e a localização
  • Margem envolvida por carcinoma invasivo / HSIL ou AIS
    Especificar qual e a localização

Número de linfonodos acometidos entre os dissecados em cada cadeia

Especificar se é macrometástase (>2,0 mm), micrometástase (entre 0,2 e 2,0 mm / ou mais que 200 células) ou células tumorais isoladas (<= 0,2 mm e não mais que 200 células)

Estádios TNM e FIGO

Pelo TNM, a designação T refere-se ao tumor primário, não tratado e a letra p significa classificação patológica, baseada nas descrições macroscópica e microscópica da lesão (pTNM). A designação cTNM corresponde à classificação clínica do tumor, antes da cirurgia, ou quando a classificação patológica não for possível.

O código pN refere-se aos linfonodos removidos para a avaliação de metástases; pM sempre implica exame histológico de lesões a distância para comprovação de metástases.

Categoria pT          

pTX    Tumor primário não pode ser avaliado (não é possível determinar com base nas informações patológicas disponíveis).

pT0    Nenhuma evidência de tumor primário.

pT1    Carcinoma estritamente confinado ao colo do útero (a extensão para o corpo uterino deve ser desconsiderada).

pT1a  Carcinoma invasivo diagnosticado apenas por microscopia, com profundidade máxima de invasão ≤ 5 mm. (O termo carcinoma escamoso superficialmente invasivo – SSCCA – corresponde ao pT1a.)

pT1a1 Invasão estromal medida ≤ 3 mm de profundidade.

pT1a2 Invasão estromal > 3 mm e ≤ 5 mm de profundidade.

pT1a (subcategoria indeterminada)    A subcategoria (pT1a1 ou pT1a2) não pode ser determinada.

pT1b  Carcinoma invasivo com profundidade de invasão > 5 mm (além do estágio IA), limitado ao colo do útero, medido pelo maior diâmetro tumoral.

Observação: o comprometimento de espaços linfáticos e/ou vasculares não altera o estadiamento. A extensão lateral da lesão não é mais considerada.

pT1b1           Invasão > 5 mm de profundidade e tumor ≤ 2 cm em sua maior dimensão.

pT1b2           Tumor > 2 cm e ≤ 4 cm em sua maior dimensão.

pT1b3           Tumor > 4 cm em sua maior dimensão.

pT1b (subcategoria indeterminada)    A subcategoria (pT1b1, pT1b2 ou pT1b3) não pode ser determinada.

pT1 (subcategoria indeterminada)       A subcategoria de pT1 não pode ser determinada.

pT2    Carcinoma invade além do útero, mas não atinge o terço inferior da vagina nem a parede pélvica.

pT2a  Tumor limitado aos dois terços superiores da vagina, sem invasão parametrial.

pT2a1 Tumor < 4 cm em sua maior dimensão.

pT2a2 Tumor ≥ 4 cm em sua maior dimensão.

pT2a (subcategoria indeterminada)    A subcategoria (pT2a1 ou pT2a2) não pode ser determinada.

pT2b  Presença de invasão parametrial, sem atingir a parede pélvica.

pT2 (subcategoria indeterminada)       A subcategoria de pT2 não pode ser determinada.

pT3    Carcinoma acomete o terço inferior da vagina e/ou estende-se à parede pélvica e/ou causa hidronefrose ou rim não funcionante.

Observação: parede pélvica inclui músculos, fáscias, estruturas neurovasculares e porções esqueléticas da pelve óssea. Casos com espaço livre entre o tumor e a parede pélvica ao exame retal são classificados como FIGO III.

pT3a  Comprometimento do terço inferior da vagina, sem extensão para a parede pélvica.

pT3b  Extensão para a parede pélvica e/ou hidronefrose ou rim não funcionante (quando não houver outra causa conhecida).

pT3 (subcategoria indeterminada)       A subcategoria de pT3 não pode ser determinada.

pT4    Carcinoma com invasão comprovada por biópsia da mucosa da bexiga ou do reto, ou extensão para órgãos adjacentes.

Observação: edema bolhoso isolado não é suficiente para classificar como estágio 4.

Categoria pN

pNX    Linfonodos regionais não podem ser avaliados (nenhum linfonodo foi submetido para análise ou encontrado).

pN (não atribuído) A categoria pN não pode ser determinada com base nas informações patológicas disponíveis.

pN0    Ausência de metástase em linfonodos regionais.

pN0(i+)          Presença de células tumorais isoladas em linfonodo(s) regional(is), com tamanho ≤ 0,2 mm, ou células isoladas/pequenos agrupamentos de células ≤ 200 células em um único corte de linfonodo.

pN1    Metástase em linfonodos pélvicos apenas.

pN1mi           Micrometástase em linfonodos pélvicos (> 0,2 mm e ≤ 2,0 mm).

pN1a  Macrometástase em linfonodos pélvicos (> 2,0 mm de diâmetro).

pN1 (subcategoria indeterminada)      A subcategoria de pN1 não pode ser determinada.

pN2    Metástase em linfonodos para-aórticos, com ou sem comprometimento concomitante dos linfonodos pélvicos.

pN2mi           Micrometástase em linfonodos para-aórticos (> 0,2 mm e ≤ 2,0 mm), com ou sem metástase em linfonodos pélvicos.

pN2a  Macrometástase em linfonodos para-aórticos (> 2,0 mm de diâmetro), com ou sem metástase em linfonodos pélvicos.

pN2 (subcategoria indeterminada)      A subcategoria de pN2 não pode ser determinada.

* Nota: Os linfonodos regionais incluem os gânglios linfáticos: paracervical, parametrial, obturador (ou hipogástrico); ilíacos comum, interno e externo; pré-sacral e sacral. As metástases para outros linfonodos não regionais são classificadas como metástase a distância.

 Categoria pM

M0 – Ausência de metástase

M1 – Metástase a distância (incluindo disseminação peritoneal, envolvimento de linfonodos supraclaviculares mediastinais, para-aórticos, pulmonares, hepático ou ósseo) *

* Nota: Os tumores com metástases a distância são classificados pela FIGO como estádio IVB.

Grupos prognósticos AJCC 9ª edição (compatíveis com FIGO 2018)

Grupo prognóstico TNM (AJCC 9ª ed.) FIGO
I T1 N0 M0 I
IA T1a N0 M0 IA
IA1 T1a1 N0 M0 IA1
IA2 T1a2 N0 M0 IA2
IB T1b N0 M0 IB
IB1 T1b1 N0 M0 IB1
IB2 T1b2 N0 M0 IB2
IB3 T1b3 N0 M0 IB3
II T2 N0 M0 II
IIA T2a N0 M0 IIA
IIA1 T2a1 N0 M0 IIA1
IIA2 T2a2 N0 M0 IIA2
IIB T2b N0 M0 IIB
IIIA T3a N0 M0 IIIA
IIIB T3b N0 M0 IIIB
IIIC1 T1–T3 N1 M0 IIIC1
IIIC2 T1–T3 N2 M0 IIIC2
IVA T4 Qualquer N M0 IVA
IVB Qualquer T Qualquer N M1 IVB

Nota:  Na AJCC Cancer Staging System Version 9, os grupos prognósticos (Prognostic Stage Groups) para câncer do colo do útero foram atualizados para se alinharem integralmente ao FIGO 2018, substituindo a antiga correspondência com a FIGO 2009 (publicada em 2008). A principal mudança foi a incorporação do estado linfonodal (N) ao agrupamento em estádios, com a criação dos estádios IIIC1 e IIIC2.

  • Estádio FIGO IIIC (novidade da FIGO 2018): o acometimento linfonodal passou a definir o estádio, categoria não existente nas versões anteriores:
  • Estádio IIIC / IIIC1 (pT1–T3, pN1/linfonodos pélvicos, M0): acometimento de linfonodos pélvicos, independentemente do tamanho e da extensão do tumor.
  • Estádio IIIC2 (pT1–T3, pN2/linfonodos para-aórticos, M0): acometimento de linfonodos para-aórticos, com ou sem comprometimento concomitante de linfonodos pélvicos.

Fatores de Risco Prognóstico em Câncer de Colo do Útero

Fatores Prognósticos Relacionados ao Tumor Relacionados ao Hospedeiro Relacionados ao Ambiente
Essenciais TNM

Doença unilateral versus bilateral

Margens cirúrgicas positivas

Imunossupressão (ex.: infecção por HIV)Estado funcional (performance status)                  Obesidade mórbida

Histórico de tabagismo

Distância do centro de tratamento

Acesso a investigações e/ou tratamentos específicos

Status socioeconômico

Adicionais Invasão de espaços linfovasculares

Tipo histológico

Status do p16/HPV

Status do PD-L1

Anemia durante o tratamento Expertise do tratamento em nível específico (ex.: cirurgia ou radioterapia)

Acesso à informação

Status R após cirurgia

Fonte: Adaptado de UICC Manual of Clinical Oncology, Nona Edição. Editores: Brian O’Sullivan, James D. Brierley, Anil K. D’Cruz, Martin F. Fey, Raphael Pollock, Jan B. Vermorken e Shao Hui Huang.

VII. Biomarcadores

Vide abaixo.

VIII. Definições e Considerações

O carcinoma de colo do útero é o segundo tipo mais comum de câncer em mulheres no mundo. A infecção pelo HPV, por via sexual, é o fator etiológico mais importante no desenvolvimento deste carcinoma. Os dois tipos histológicos mais frequentes do colo do útero são o carcinoma escamoso (80%) seguido pelo adenocarcinoma.

1. Estudo imuno-histoquímico

O diagnóstico do carcinoma escamoso normalmente é feito somente com base na morfologia; entretanto, nos casos pouco diferenciados, pode-se realizar o exame imuno-histoquímico. Nessa situação, o marcador mais indicado é a proteína P63 (p63), que tem expressão forte em padrão difuso em cerca de 97% dos carcinomas escamosos e é negativa nos adenocarcinomas.

Outro marcador imuno-histoquímico importante é o p16 (INK4a), estudado por Sano et al. (1998), que demonstraram expressão intensa e difusa da proteína p16 (INK4a) em todas as lesões pré-neoplásicas, bem como infecção com os subtipos de HPV de alto risco (16, 18, 31, 33, 52 e 58) e em todos os carcinomas invasivos do colo do útero. As lesões associadas com HPV de baixo risco (6 e 11), incluindo condiloma acuminado e NIC1, demonstraram imunorreação fraca e focal para o p16 (INK4a).

2. Patologia molecular

O HPV é um vírus da família Papillomaviridae, englobando cerca de 200 tipos diferentes que são classificados em vírus de baixo e alto riscos para o câncer. Os principais HPV de alto risco, com maior probabilidade de provocar lesões persistentes e associadas às lesões pré-cancerosas, são os tipos 16, 18, 31, 33, 45 e 58. Os HPV dos tipos 6 e 11 são considerados de baixo risco oncogênico, sendo frequentemente encontrados nas verrugas genitais. A identificação do HPV é muito importante nos estudos sobre a oncogênese no colo do útero, visto que em mais de 90% dos carcinomas escamosos existe a infecção crônica pelo vírus. A pesquisa do HPV nas lesões, assim como sua tipagem, pode ser realizada por exames laboratoriais de diagnóstico molecular, como o testes como PCR (genotipagem parcial ou estendida).

IX. Bibliografia

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  2. American Joint Committee on Cancer. AJCC Cancer Staging System: Version 9. Chicago (IL): American College of Surgeons; 2023. Protocolo: Uterine cervix, Resection (versão 5.1.1.0, abril 2023).
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