Sistema Digestivo Apêndice Cecal – Neoplasias Epiteliais

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AUTORES

Lidiane Vieira Marins, Aloísio Souza Felipe da Silva e Evandro Sobroza De Mello

I. Introdução

Este protocolo tem por principal objetivo orientar o procedimento de macroscopia das peças cirúrgicas de pacientes com neoplasias epiteliais do apêndice cecal.

Este capítulo não contempla neoplasias neuroendócrinas bem diferenciadas, linfomas e sarcomas.

Os critérios aqui descritos baseiam-se nas recomendações da 9ª edição do Manual do American Joint Committee on Cancer (AJCC), nas diretrizes do College of American Pathologists (CAP, 2026), na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2026) e nas orientações da International Collaboration on Cancer Reporting (ICCR, 2020)

II. Código de topografia

  • C18.1

III. Identificação

O laboratório deve realizar a correta conferência e identificação dos materiais recebidos, registrando obrigatoriamente as seguintes informações: número do exame, nome do paciente, idade, sexo, etnia, procedência, médico solicitante, procedimento cirúrgico, resultado de exame intraoperatório (se houver) e data do procedimento.

IV. Informações clínicas/radiológicas

Dados clínicos

  • Apendicite aguda
  • Tumor no apêndice cecal e/ou ceco e/ou cólon ascendente
  • Mucocele
  • Dilatação do apêndice cecal
  • Mucina no apêndice cecal
  • Outro (especificar)

Dados de exames de imagem

  • Exame(s) radiológico(s) realizado(s) (especificar)
  • Não se aplica

V. Exame macroscópico

Exame intraoperatório por congelação

  • Não realizado
  • Realizado

Procedimento cirúrgico realizado

  • Apendicectomia
  • Apendicectomia + hemicolectomia direita
  • Apendicectomia + tiflectomia
  • Outro (especificar)

Documentação fotográfica

Integridade do espécime

  • Intacto
  • Recebido já aberto pela equipe cirúrgica
  • Com área de solução de continuidade/perfuração
  • Fragmentado (número de fragmentos recebidos; especificar)
  • Previamente seccionado durante exame intraoperatório por congelação

Peso do espécime (em gramas)

Medidas do espécime (em centímetros, nos três eixos)

Fixação do espécime

  • Inferior a 24 horas
  • de 24 a 72 horas
  • Superior a 72 horas

Superfície externa (serosa e mesoapêndice)

  • Aspecto
    • Lisa
    • Recoberta por exsudato/fibrina
    • Com aderência(s)
    • Outro (especificar)
  • Coloração
    • Parda
    • Esverdeada
    • Esbranquiçada
    • Vinhosa
    • Amarelada
    • Outro (especificar)
  • Mucina na superfície externa
    • Detectada
    • Não detectada
  • Implante(s) sólido(s)
    • Detectado(s)
    • Não detectado(s)
  • Aderência a órgão vizinho (especificar)
  • Outras alterações (especificar)

Localização do tumor

  • Metade proximal do apêndice
  • Terço médio do apêndice
  • Metade distal do apêndice
  • Envolvimento difuso do apêndice
  • Outro (especificar)

Tamanho do tumor no maior eixo (em centímetros)

Extensão do tumor:

  • Confinado ao apêndice cecal
  • Acomete diretamente outros órgãos adjacentes (especificar)

Margem de ressecção cirúrgica (margem proximal e margem radial)

  • Margem proximal e margem radial (do mesoapêndice e de eventuais aderências): livres de neoplasia (distância da margem mais próxima: ____ cm, identificar qual margem)
  • Comprometida pela neoplasia (identificar qual margem)
  • Não avaliável (especificar)

Linfonodos

  • Não visualizados no espécime principal ou nos frascos enviados à parte
  • Presentes (quantidade, localização e tamanho)
  • Acometidos macroscopicamente (quantidade)

Aspecto do apêndice não tumoral

  • Lúmen virtual
  • Lúmen dilatado
  • Outro (especificar)

VI. Exame microscópico

Tipo histológico (OMS 6ª. Edição)

  • Neoplasias mucinosas do apêndice
    • Neoplasia mucinosa de baixo grau (LAMN)
    • Neoplasia mucinosa de alto grau (HAMN)
  • Adenocarcinoma
    • Adenocarcinoma SOE
    • Adenocarcinoma mucinoso
    • Adenocarcinoma de células em “anel de sinete”
    • Adenocarcinoma de células caliciformes (“Goblet cell” carcinoma)
  • Carcinoma de células escamosas
  • Carcinoma adenoescamoso
  • Carcinoma indiferenciado
  • Carcinoma neuroendócrino
    • Carcinoma neuroendócrino de grandes células
    • Carcinoma neuroendócrino de pequenas células
  • Carcinoma misto adenoendócrino
  • Outro (especificar)

Graduação histológica

  • LAMN e HAMN correspondem a tumores de graus G1 e G2, respectivamente.Para adenocarcinoma (não mucinoso)
Grau histológico Grau de diferenciação tumoral Porcentagem de formação glandular
G1 Bem diferenciado >95%
G2 Moderadamente diferenciado 50 a 95%
G3 Pouco diferenciado < 50%
  •  Para adenocarcinoma mucinoso
Grau histológico Grau de diferenciação tumoral Características citológicas
G1 Bem diferenciado
  • Atipia citológica discreta
  • Sem células anel-de-sinete
G2 Moderadamente diferenciado
  • Atipia citológica moderada a acentuada
  • Sem células anel-de-sinete
G3 Pouco diferenciado
  • Atipia citológica acentuada
  • Geralmente com células anel-de-sinete
  • Para adenocarcinoma de células caliciformes
Grau histológico Padrão de baixo grau*,& Padrão de alto grau**,&,#
G1 – baixo grau >75% <25%
G2 – grau intermediário 50-75% 25-50%
G3 – alto grau# <50% >50%

 

*Padrão de baixo grau:

  • Túbulos formados por células mucinosas semelhantes a células caliciformes; desorganização ou fusão tubular discreta; atipia nuclear leve; mitoses infrequentes; ausência de reação estromal significativa. Podem estar presentes células com diferenciação endócrina ou semelhantes às células de Paneth, com citoplasma eosinofílico granular.

**Padrão de alto grau:

  • Infiltração por células isoladas mucinosas ou não mucinosas; desorganização arquitetural extensa (túbulos complexos e anastomosantes; estruturas cribriformes; lençóis ou grandes agregados celulares); atipia citológica acentuada; mitoses numerosas ou atípicas; necrose; resposta desmoplásica; componente de adenocarcinoma convencional.

& Mucina extracelular, isoladamente, não determina o grau, pois pode ser observada tanto nos tumores de baixo quanto nos de alto grau.

#Por convenção, os carcinomas com células em anel de sinete são classificados como G3.

Extensão microscópica do tumor ou de mucina acelular

  • Tumor (contendo células neoplásicas) infiltra:
    • Lâmina própria ou a camada muscular da mucosa
    • Camada submucosa
    • Camada muscular própria
    • Camada subserosa ou mesoapêndice
    • Superfície serosa
    • Diretamente órgão(s) ou estrutura(s) adjacente(s) (especificar)
    • Não pode ser determinado (especificar)
  • Mucina acelular (não acompanhada por células neoplásicas) infiltra:
    • Camada submucosa
    • Camada muscular própria
    • Camada subserosa ou o mesoapêndice
    • Superfície serosa
    • Diretamente órgão(s) ou estrutura(s) adjacente(s) (especificar)
    • Não pode ser determinado (especificar)

Invasão vascular microscópica

  • Não detectada
  • Detectada

Infiltração perineural/intraneural

  • Não detectada
  • Detectada

Avaliação microscópica das margens cirúrgicas

  • Apendicectomia:
    • Margem cirúrgica proximal:
      • Livre de neoplasia: distância entre a neoplasia e a margem mais próxima: ….. centímetro(s) ou milímetro(s)
      • Comprometida pela neoplasia
      • Presença de adenoma/pólipo/lesão na margem proximal (especificar o tipo e o grau de displasia)
    • Margem mesentérica (radial):
      • Livre de neoplasia: distância entre a neoplasia e a margem mais próxima: ….. centímetro(s) ou milímetro(s)
      • Comprometida pela neoplasia
      • Não aplicável (especificar)
    • Apendicectomia com colectomia direita:
      • Margem ileal (proximal):
        • Livre de neoplasia: distância entre a neoplasia e a margem mais próxima: ….. centímetro(s) ou milímetro(s)
        • Comprometida pela neoplasia
        • Não aplicável (especificar)
      • Margem colônica (distal) livre ou comprometida pela neoplasia:
        • Livre de neoplasia: distância entre a neoplasia e a margem mais próxima: ….. centímetro(s) ou milímetro(s)
        • Comprometida pela neoplasia
        • Não aplicável (especificar)
      • Margem mesentérica (radial):
        • Livre de neoplasia: distância entre a neoplasia e a margem mais próxima: ….. centímetro(s) ou milímetro(s)
        • Comprometida pela neoplasia
        • Não aplicável (especificar)

Lesões pré-malignas

  • Adenoma convencional
    • Tubular
    • Viloso
    • Túbulo-viloso
      • Displasia (neoplasia intraepitelial) de baixo grau
      • Displasia (neoplasia intraepitelial) de alto grau
    • Lesões serrilhadas e pólipos
      • Pólipo hiperplásico
      • Lesão séssil serrilhada sem displasia
      • Lesão séssil serrilhada com displasia
    • Outro(s) tipo(s) de pólipo(s) (especificar)

Achados patológicos adicionais

  • Nenhum identificado
  • Apendicite
  • Doença intestinal inflamatória crônica
    • Colite ulcerativa
    • Doença de Crohn
    • Não classificável
  • Doença diverticular
  • Endometriose
  • Foco independente de neoplasia neuroendócrina bem diferenciada (neoplasia sincrônica)
  • Outro (especificar)

Linfonodos

  • Nenhum linfonodo encontrado
  • Número de linfonodos examinados (especificar)
  • Número de linfonodos comprometidos (especificar)

Depósito (para adenocarcinomas não mucinosos)

  • Não detectado
  • Detectado

Envolvimento de amostras de peritônio (enviadas em separado, se houver)

  • Não detectado
  • Detectado
    • Presença exclusiva de mucina acelular (carcinoma peritoneal de baixo grau)
    • Componente neoplásico escasso com atipias citológicas discretas (carcinoma peritoneal de baixo grau)
    • Componente celular em quantidade moderada ou abundante com atipias citológicas moderadas a acentuadas (carcinoma peritoneal de alto grau)
    • Componente celular contendo células em anel de sinete (carcinoma peritoneal de alto grau com células em anel de sinete)

Estadiamento anatomopatológico (AJCC/TNM/ outros aplicáveis)

  • Descritores TNM (selecionar se aplicável)
  • m (tumores primários múltiplos)
  • r (recorrente)
  • y (pós-tratamento)
  • Categoria pT
  • pT não atribuído (não pode ser determinado com base nas informações anatomopatológicas disponíveis)
  • pT0: Ausência de evidência de tumor primário
  • pTis: Carcinoma in situ (carcinoma intramucoso; invasão da lâmina própria ou extensão até a muscular da mucosa, sem ultrapassá-la)
    • A categoria pTis (LAMN) aplica-se exclusivamente às LAMN.
    • HAMNs são estadiadas de maneira semelhante aos adenocarcinomas mucinosos.
    • pTis (LAMN): Neoplasia mucinosa apendicular de baixo grau confinada à muscular própria; mucina acelular ou epitélio mucinoso podem invadir a muscular própria.
      • As categorias T1 e T2 não se aplicam às LAMN
      • Mucina acelular ou epitélio mucinoso que se estendam à subserosa ou à serosa devem ser classificados como T3 ou T4a, respectivamente.
    • pT1: Tumor invade a submucosa (atravessa a muscular da mucosa, mas não invade a muscular própria)
    • pT2: Tumor invade a muscular própria
    • pT3: Tumor atravessa a muscular própria e invade a subserosa ou o mesoapêndice
    • pT4: Tumor invade o peritônio visceral, incluindo mucina acelular ou epitélio mucinoso envolvendo a serosa do apêndice ou do mesoapêndice, e/ou invade diretamente órgãos ou estruturas adjacentes
      • pT4a: Tumor atravessa o peritônio visceral, incluindo mucina acelular ou epitélio mucinoso envolvendo a serosa do apêndice ou a serosa do mesoapêndice
      • pT4b: Tumor invade diretamente órgãos ou estruturas adjacentes (ou está aderido a eles)
        • Um tumor macroscopicamente aderido a outros órgãos ou estruturas é classificado clinicamente como cT4b; entretanto, se nenhum tumor for identificado no exame anatomopatológico da área de aderência, a categoria T deverá ser atribuída com base na profundidade da invasão da parede observada ao exame microscópico (geralmente pT1–pT3).
      • pT4 (não é possível determinar a subcategoria)
  • Categoria pN
  • pN não atribuído (nenhum linfonodo foi enviado ou identificado)
  • pN não atribuído (não pode ser determinado com base nas informações anatomopatológicas disponíveis)
  • pN0: Ausência de comprometimento tumoral de linfonodo(s) regional(is)
  • pN1: Comprometimento tumoral de um a três linfonodos regionais (tumor no linfonodo medindo ≥ 0,2 mm) ou presença de qualquer número de depósitos tumorais, sem comprometimento tumoral de todos os linfonodos identificáveis
    • pN1a: Comprometimento tumoral de um linfonodo regional
    • pN1b: Comprometimento tumoral de dois ou três linfonodos regionais
    • pN1c: Ausência de comprometimento tumoral dos linfonodos regionais, porém com depósitos tumorais na subserosa ou no mesentério
  • pN1 (não é possível determinar a subcategoria)
  • pN2: Comprometimento tumoral de quatro ou mais linfonodos regionais
  • Categoria pM (obrigatória apenas se confirmada patologicamente)
  • Em espécimes contendo mucina acelular sem células tumorais identificáveis, devem ser realizados esforços para obter tecido adicional e efetuar exame histológico minucioso, a fim de avaliar a presença de componente celular.
  • Não se aplica — pM não pode ser determinado a partir do(s) espécime(s) enviado(s)
  • pM1: Confirmação microscópica de metástase a distância
    • pM1a: Mucina acelular intraperitoneal, sem células tumorais identificáveis nos depósitos mucinosos peritoneais disseminados
    • pM1b: Metástase exclusivamente intraperitoneal, incluindo depósitos mucinosos peritoneais contendo células tumorais
    • pM1c: Confirmação microscópica de metástase para locais distintos do peritônio
  • pM1 (não é possível determinar a subcategoria)

Nota(s) /comentário(s) referente(s) ao relatório anatomopatológico (se aplicável)

VII. Biomarcadores

  • A avaliação do status de MSI e/ou das proteínas do sistema de reparo de erros de pareamento do DNA (MMR) é considerada apropriada em todos os carcinomas invasivos, mucinosos ou não mucinosos, devido à possibilidade de identificação da síndrome de Lynch, escolha adequada de quimioterápicos (identificação de provável resistência ao 5-FU) e aos potenciais uso de imunoterapia.

VIII. Definições e Considerações

Comentário 1 (documentação fotográfica)

  • A documentação fotográfica do espécime pré-clivagem e das superfícies de corte é altamente recomendável quando houver dilatação do apêndice cecal ou na presença de qualquer suspeita de tumoração clínico-radiológica ou ao exame macroscópico.

Figura 1. Aspecto macroscópico de lesão do apêndice com dilatação fusiforme do órgão em toda a sua extensão. Repare que a serosa é lisa, sem aderências, importante para o estadiamento da lesão.

Figura 2. Lesão que provoca dilatação globosa do apêndice. Neste caso, há algumas aderências sutis na superfície do órgão, de provável natureza inflamatória.

Figura 3. Visão aos cortes de lesão cística mucinosa. A parede do apêndice fica com aspecto fibrótico (esbranquiçado), típica da invasão em “broad front” da LAMN.

Figura 4. Lesão do apêndice com presença de mucina na serosa (e também recebida solta no frasco). Veja como a mucina tem aspecto bem homogêneo, sem sinais de organização – aspecto típico de quando a mucina extravasou por abertura da lesão pela equipe cirúrgica. Evidentemente, este dado precisa ser confirmado com o cirurgião.

Figura 5. Mucina vista na serosa por extensão “verdadeira” da lesão à superfície serosa. O aspecto da mucina é irregular, especialmente quanto à sua textura, decorrente da organização parcial do processo. Esta organização pode ser facilmente confirmada ao exame microscópico, onde a mucina está variavelmente permeada por fibroblastos, vasos e células inflamatórias.

Comentário 2 (localização do tumor e achados de perfuração e/ou dilatação cística)

  • A distinção entre tumores da base do apêndice e tumores do ceco (localização do epicentro massa tumoral) é embasada no exame macroscópico e/ou no encontro de lesão precursora ao exame microscópico, o que indica o provável sítio de origem. Exames radiológicos pregressos podem auxiliar esta avaliação.
  • Embora de valor prognóstico discutível na literatura, é recomendável especificar a topografia do tumor no apêndice (proximal ou distal) bem como o local de eventual perfuração (no local do tumor x distante do tumor por apendicite secundária ou divertículo).
    • Alguns estudos mostraram melhor prognóstico nas lesões da base do apêndice e pior prognóstico naquelas com perfuração no próprio sítio do tumor.
  • A presença de dilatação cística não é considerada de valor prognóstico significativo.

Comentário 3 (margens de ressecção)

  • Em apendicectomias simples, é recomendável a representação da margem proximal em corte transversal para avaliação de toda a circunferência da mucosa e camada muscular.
  • A margem radial (face não peritonizada/mesoapêndice) deve ser sempre representada (em todos os produtos de apendicectomia), independentemente da visualização ou não de alteração macroscópica.

Comentário 4 (nomenclatura da neoplasia)

  • É recomendável a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) na sua 6ª edição para consistência nos laudos e sistemas de informação.
  • As terminologias cistadenoma, cistadenocarcinoma e mucocele tem valor meramente descritivo e não devem ser empregadas.

Comentário 5 (grau histológico e comportamento biológico/prognóstico)

  • O grau histológico demonstrou ser um fator prognóstico em diversas séries de carcinomas do apêndice e por isso deve ser atribuído para tumores mucinosos e não mucinosos.
  • LAMN e HAMN correspondem a tumores graus G1 e G2, respectivamente.
  • O tipo histológico e o grau da neoplasia primária do apêndice (LAMN ou HAMN) e da metástase peritoneal devem ser registrados de forma independente. Mesmo quando há disseminação peritoneal é muito importante a diferenciação destes tumores dos adenocarcinomas mucinosos, uma vez que a base do tratamento da LAMN e da HAMN é cirurgia, com ressecção tanto da lesão primária quanto dos depósitos peritoneais.
  • As neoplasias mucinosas de baixo grau com invasão mural (frequentemente de padrão expansivo, com lagos de muco na parede) ou disseminação peritoneal são consideradas biologicamente como carcinomas de baixo grau.
  • A presença ou ausência de células neoplásicas na mucina na serosa do apêndice ou nos depósitos extra-apendiculares deve ser claramente mencionada no laudo, pois este é o fator prognóstico mais crítico nas neoplasias mucinosas do apêndice.
  • HAMN são relativamente raros, e apresentam características arquiteturais semelhantes à LAMN, porém com atipia citológica de alto grau inequívoca (arranjos micropapilares, cribriformes, empilhamento nuclear, pleomorfismo, mitoses, necrose celular, etc).
    • Recomenda-se que, na presença de HAMN, todo o tumor seja incluído para investigação de adenocarcinoma associado.

Comentário 6 (sumário dos linfonodos)

  • Metástases em linfonodos regionais (linfonodos íleo-cólicos) são relativamente raras em adenocarcinomas do apêndice, porém indicam prognóstico adverso, especialmente nos estádios iniciais.

Comentário 7 (depósitos para adenocarcinoma não mucinoso)

  • Foco tumoral localizado na gordura periapendicular ou no mesoapêndice, sem tecido linfonodal ou estrutura vascular identificável, é considerado um depósito tumoral.
  • Se a parede de um vaso ou seus remanescentes forem identificados (pela coloração de hematoxilina e eosina (HE), por coloração para fibras elásticas ou por qualquer outra técnica) o achado deve ser classificado como invasão vascular (venosa).
  • Se um foco tumoral está localizado no interior ou ao redor de um nervo de grande calibre deve ser classificado como invasão perineural.
  • O tamanho e o formato do foco tumoral não são relevantes para sua classificação como depósito tumoral.

Comentário 8 (classificação do pseudomixoma peritoneal)

  • Recomenda-se o emprego do sistema de classificação proposto pela PSOGI, parcialmente incorporada na 6ª edição da Classificação de Tumores da OMS. Para assegurar uma comunicação clara com clínicos e cirurgiões, que muitas vezes não estão familiarizados com essa terminologia, recomenda-se que, nos casos diagnosticados como “carcinoma peritoneal mucinoso de baixo grau”, seja acrescentada a observação de que esse diagnóstico provavelmente corresponde a disseminação peritoneal de LAMN/HAMN, terminologia mais familiar aos profissionais não patologistas. Essa comunicação é particularmente importante em razão das implicações do diagnóstico para a definição da conduta cirúrgica.
Nomenclatura Critérios
Carcinoma peritoneal mucinoso de baixo grau
  • Mucina na cavidade peritoneal
  • Ausência de células neoplásicas
Carcinoma peritoneal mucinoso de baixo grau
  • Componente celular escasso
  • Tiras de epitélio ou pequenas glândulas
  • Fronte de invasão expansivo
  • Atipia citológica mínima
  • Raras mitoses
Carcinoma peritoneal mucinoso de alto grau
  • Maior celularidade (objetiva de 20x)
  • Presença de glândulas e arranjos cribriformes
  • Fronte de invasão infiltrativo
  • Atipia citológica de alto grau (≥ 10% do epitélio tumoral)
  • Numerosas mitoses
Carcinoma peritoneal mucinoso de alto grau com células em anel de sinete
  • Qualquer lesão com componente de células em anel-de-sinete

Obs.: Células com padrão degenerativo, por vezes denominadas como “pseudo-células em anel de sinete” não se qualificam como G3.

  • O termo pseudomixoma peritoneal é clínico e não deve ser empregado nos relatórios anatomopatológicos
    • Este termo é utilizado no contexto de crescimento de células neoplásicas produtoras de mucina dentro da cavidade peritoneal.
    • Há produção e acúmulo de muco associado a fenômeno de redistribuição (que segue a circulação normal do fluido peritoneal) resultando em ascite gelatinosa.
  • Na LAMN, as células neoplásicas podem estar ausentes ou ser muito escassas dentro do material mucinoso.
    • Ampla amostragem do material é importante para a detecção das células neoplásicas
  • As lesões que dão origem ao pseudomixoma peritoneal são classificadas como de baixo grau ou alto grau.
    • O termo carcinoma peritoneal mucinoso de baixo ou de alto grau (com ou sem células em anel de sinete) é o mais recomendado (com o cuidado recomendado acima).
    • Geralmente o Pseudomixoma peritoneal de baixo grau está associado à LAMN, enquanto a doença de alto grau está associada ao adenocarcinoma mucinoso, porém casos discordantes podem ocorrer.
  • A classificação PSOGI-Ki67 diferencia e prediz a sobrevida global e a sobrevida livre de doença em pacientes com PMP, dividindo a categoria PMP de alto grau em duas subcategorias bem definidas.
    • O índice de proliferação Ki67 deve ser incorporado rotineiramente ao laudo anatomopatológico desses pacientes.
    • Valores de Ki-67 acima de 15% em casos de alto grau indicam um prognóstico pior.
  • O grau dos tumores apendicular e peritoneal é concordante na maioria dos casos, mas pode ser discordante em algumas situações. Em caso de discordância, o grau final deve ser atribuído com base na metástase peritoneal.
  • O uso do termo adenomucinose peritoneal disseminada é desencorajado.

IX. Bibliografia

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