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Da biópsia ao diagnóstico: como é realizado o trabalho do patologista

Categoria: Científico Publicado por: admsbp Publicado em: 19/07/2016

No texto anterior (disponível AQUI), explicamos um pouco mais sobre quem é o médico patologista, o “profissional do diagnóstico”, assim como o papel fundamental que esse especialista desempenha na medicina. Para realizar seus estudos, diagnósticos e laudos, o patologista tem como principal arma o exame anatomopatológico. Esse exame é solicitado pelos médicos generalistas ou especialistas quando eles precisam esclarecer a causa de algum sintoma ou sinal apresentado pelo paciente, como uma lesão de pele, por exemplo. Resumidamente, este teste consiste na avaliação minuciosa do material coletado via biópsia ou mesmo através de intervenções cirúrgicas. Esta avaliação será feita em nível macroscópico, tecidual e celular.

De acordo com Felipe D’Almeida, patologista e secretário da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), existem diversos processos que devem ser rigidamente controlados para garantir a melhor análise desse material. Ele explica que órgãos e fragmentos devem ser mantidos em uma solução contendo formol para a conservação e fixação do material, sendo posteriormente inspecionados, dissecados e cortados em pedaços menores, quando necessário, para serem colocados em pequenas caixas de plástico denominadas cassetes. Estas caixas com os fragmentos são submetidas a um tratamento com várias substâncias químicas, em uma etapa chamada de processamento histológico.

No final deste processo, os pequenos pedaços são misturados à parafina quente, que após o seu resfriamento, forma um bloco sólido que irá conter aquele fragmento de tecido previamente dissecado. Tudo isso é feito para que seja possível colocar cada bloco sólido de parafina contendo tecido em um equipamento chamado micrótomo. Neste aparelho, é possível realizar cortes extremamente finos, podendo chegar a menos de três micrômetros (unidade minúscula que representa um metro dividido por um milhão). Estes finíssimos cortes são colocados em lâminas de vidro e são banhados por corantes, que irão permitir ao patologista analisar o material em um microscópio e identificar os tecidos normais e aqueles que apresentam alterações patológicas, como por exemplo, tumores ou infecções.

Em alguns casos, é necessária a realização de exames complementares no próprio tecido que está no bloco de parafina, como o estudo imunohistoquímico, que identifica proteínas especificas das células através de anticorpos. Por serem marcados por corantes, estes anticorpos também podem ser identificados pelo olhar treinado do patologista ao microscópio.

Ainda existem outros exames que podem ser realizados e seu uso tem se tornado a cada dia mais frequente, como aqueles que envolvem a pesquisa de mutações do DNA em genes específicos associados ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer, uma ferramenta extremamente útil para o diagnóstico e também para auxiliar na decisão de qual tratamento deve ser empregado a cada paciente.

Com a análise completa do material, somente o médico patologista é capaz de integrar todos os dados clínicos, cirúrgicos, morfológicos e moleculares, para desvendar os mistérios do corpo humano e realizar um diagnóstico preciso, que comporá seu laudo anatomopatológico, juntamente com outras informações importantes a respeito da doença que está sendo diagnosticada. Esse documento é parte indispensável da prática médica, servindo de ponto de partida para os médicos de diversas outras especialidades, identificando as causas das doenças e sinalizando o melhor caminho para o tratamento e a cura.

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