15/7/2016 11:24:01 -  O médico que desvenda doenças: o papel da análise microscópica no diagnóstico do câncer

Nos textos anteriores (disponíveis AQUI) conhecemos Paula, uma mulher de 42 anos que descobriu um nódulo em um de seus seios durante o autoexame. Após buscar ajuda médica, ela passou por uma série de exames, incluindo a biópsia, para a retirada de uma amostra do nódulo. Esse fragmento de tecido passou por diversos processos químicos para ser preservado e preparado para a análise de um médico patologista, o profissional do diagnóstico. 

Enquanto aguardava, Paula passou a controlar sua ansiedade lendo ainda mais sobre Patologia e as etapas que ocorreriam até que tivesse uma resposta definitiva, o laudo anatomopatológico. Ela já sabia que essa análise envolveria lâminas com fragmentos de tecido no microscópio, mas não imaginava que uma simples busca no Google resultaria em imagens tão bonitas.

Essas verdadeiras obras de arte em tons de rosa e lilás eram fruto do processo químico responsável por corar as amostras, montando as lâminas histológicas de forma que facilitasse sua visualização no microscópio. Mais do que isso, a evolução da Patologia já permitiria testes complementares para detectar genes específicos, conhecidos pelos médicos por estarem relacionados a determinados tipos de câncer. Nesse processo, conhecido como imunoistoquímica, as imagens eram dominadas por azul, branco e marrom.

Todas essas ferramentas seriam utilizadas pelo patologista na importante tarefa de analisar minuciosamente a estrutura dos tecidos recolhidos na amostra. A partir daí, esse profissional poderia comparar aquilo que enxergava no microscópio com anos de estudo, possibilitando entender que tipos de células compunham o nódulo que aparecera na mama de Paula.

Esse treinamento concede ao patologista a responsabilidade de fazer a análise microscópica de vários tipos de tumores, inclusive o da mama, descrevendo seus formatos e eventuais alterações que possam indicar algum crescimento fora do normal. Aos poucos, Paula passou a entender exatamente como seria a análise de sua biópsia.

Como os fragmentos de órgãos e tecidos são seus instrumentos de trabalho, esse profissional os avalia com atenção e cuida de sua preservação. Mais do que utilizar a biópsia para diagnosticar o câncer, o patologista pode usar a mesma amostra para identificar outros fatores que podem influenciar no tratamento e recuperação do paciente, como alterações as genéticas relacionadas ao desenvolvimento de tumores.

No caso das biópsias de mama, esse especialista precisaria interpretar cada caso em comparação com a estrutura da mama normal.  As distorções arquiteturais (organização das células), bem como suas atipias (alterações na forma, tamanho e coloração) dos núcleos, é que permitiriam a conclusão de malignidade.

Se fosse confirmada a presença do tumor na biópsia, o patologista ainda teria que listar todas as características deste tumor para auxiliar no entendimento da agressividade biológica.  No laudo anatomopatológico deveria constar se há ou não algum tumor na mama, seja ele benigno ou maligno (carcinoma) e quais as características microscópicas deste.

Quando o resultado estivesse pronto, ele seria entregue para o médico especialista. As informações contidas no laudo é que ajudariam o especialista a determinar o estágio da doença e o tratamento adequado de acordo com o diagnóstico apresentado pelo patologista. Se o diagnóstico fosse câncer, o patologista iria destacar o tipo exato de câncer e seu estadiamento, melhorando assim as chances dos pacientes.

Paula continua apreensiva e à espera da ligação do laboratório para retirar o seu laudo, o que, conforme pesquisou, poderia demorar alguns dias, dependendo do tipo de amostra a ser analisada e também o processo de estudo artesanal do patologista.

Na semana que vem você acompanhará a entrega do laudo e, por fim, saberá qual o diagnóstico que Paula receberá. Até lá!

 



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