17/6/2016 11:21:57 -  Os grandes avanços tecnológicos da Patologia

Como vimos no texto anterior (disponível AQUI), a Patologia avançou apoiada nos ombros de gigantes por toda a história, desde Hipócrates, na Grécia Antiga, até os dias atuais. Cada um desses profissionais ajudou na evolução da especialidade e contribuiu com pequenas e vitais parcelas de conhecimento. Em todo esse processo histórico, alguns avanços científicos e tecnológicos foram fundamentais, ajudando a moldar a especialidade como vemos hoje.

O primeiro e mais antigo deles é o estudo macroscópico. Em linhas gerais, os patologistas antigos, assim como os de hoje, analisavam minuciosamente os fragmentos de órgãos e tecidos retirados dos pacientes na forma de peças cirúrgicas, biópsias ou mesmo necropsias. Esse exame inicial possibilita até hoje a detecção de alterações funcionais importantes, dando os passos iniciais para a resolução do intrincado quebra cabeça das doenças que afetam o nosso corpo.

Entretanto, a maior revolução na história da Patologia se deu a partir do século XX, com o surgimento da microscopia. Possibilitada após os avanços da óptica, essa área deu o impulso necessário para que a Patologia pudesse florescer ainda mais. Foi nessa época que viveu Rudolf Ludwig Karl Virchow (1804 – 1878), considerado a maior figura na história da especialidade por ser um dos primeiros a utilizar o microscópio para a análise de tecidos. Surgia assim a histopatologia, nomenclatura formada da combinação de três palavras gregas: 'histo' (tecido celular), 'pathos' (doença) e 'logia'(estudo).

Acredita-se que essa ferramenta tenha sido inventada por volta de 1590 pelos holandeses Hans e Zacharias Janssen, pai e filho, ambos fabricantes de óculos. Ao longo do tempo, a técnica de usar lentes para tornar visíveis os segredos nunca antes vistos por nossos olhos foi sendo aperfeiçoada. O próprio microscópio sofreu mudanças no seu desenho até chegarmos hoje ao microscópio eletrônico.

Mesmo que agora tivessem o poder de desvendar as alterações nos tecidos humanos, os patologistas que se debruçavam sob os primeiros microscópios ainda tinham bastante dificuldade para identificar exatamente as alterações morfológicas que levavam ao desenvolvimento das doenças. Para ajudar nesse processo, foi desenvolvida uma ciência capaz de colorir proteínas específicas, formando a obra de arte que vemos até hoje em cada lâmina analisada.

Esse processo conhecido como e imunohistoquímica floresceu a partir dos estudos de Paul Ehrlich (1854-1915),  disponibilizando mais corantes e dando cores a diferentes estruturas que compõem os tecidos.

Mesmo após tantos avanços, a Patologia não permaneceu estanque. Nos últimos anos, técnicas oriundas da biologia molecular propiciam aos patologistas outras ferramentas poderosas para o aprimoramento de seus trabalhos. Um exemplo são as análises de DNA e RNA (o material genético das nossas células) que estão se tornando cada vez mais comuns e ajudando esses profissionais a desvendar as causas do desenvolvimento de doenças, assim como prever de maneira cada vez mais precisa o curso que essas patologias podem tomar e definir tratamentos específicos baseados na alteração genética que cada tumor possui.


É o caso da hibridização in situ, que analisa o material genético de cortes histológicos ou esfregaços celulares. Dessa forma, os patologistas podem identificar e analisar a origem de alterações nas células e tecidos em seu nível mais básico.


Todas essas técnicas desenvolvidas e aperfeiçoadas ao longo da história da especialidade compõem o arsenal do patologista moderno, possibilitando que esse profissional possa, cada vez mais, realizar diagnósticos precisos e completos. Graças a esse pilar, as demais especialidades e a própria medicina podem prosperar e oferecer tratamentos cada vez melhores para seus pacientes.


No nosso último texto da série sobre a história da Patologia, você vai saber mais sobre o desenvolvimento da especialidade no Brasil e a fundação da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP). Não perca!


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