11/11/2016 16:21:40 -  Encarando a biópsia

No texto anterior, conhecemos o Pedro (Clique AQUI), um homem de 55 anos que sempre relutou em realizar qualquer tipo de exame de rotina. Por preconceito e até mesmo com vergonha do que as pessoas poderiam pensar, ele nunca falava sobre assuntos que envolvessem a saúde masculina, muito menos sobre ir ao urologista. 

Por insistência de seus filhos, ele acabou cedendo e foi convencido a procurar o especialista para uma consulta de rotina. O médico precisou usar toda a sua persuasão para convencê-lo a realizar o exame de toque retal, fundamental para verificar a consistência da próstata, tamanho e possíveis tumores. Ele só cedeu quando aceitou que o procedimento ajudaria a diagnosticar qualquer problema precocemente, aumentando as chances de cura e reduzindo possíveis sequelas.

Submetido ao toque retal, ele descobriu que não era nenhum bicho de sete cabeças, mas um exame rápido que causou apenas um leve desconforto. Foi graças a ele que o urologista logo notou a presença de um nódulo endurecido na próstata e solicitou uma biópsia. Assustado, Pedro achava que essa solicitação já significava que ele estava com câncer. Para tranquilizá-lo, o especialista disse que a amostra retirada seria para verificar algum indício de alterações que pudessem evoluir para um tumor.

A amostra do nódulo foi retirada dois dias depois pelo próprio urologista. Após uma sedação que permitiu que Pedro passasse pelo procedimento sem dor, foi inserida uma agulha especial com o auxílio de um transdutor apropriado que guia a biópsia por meio da ultrassonografia. Em alguns minutos, foram recolhidos pelo menos 12 fragmentos da glândula.

À espera do diagnóstico

Depois da biópsia, Pedro se recuperou rapidamente da sedação sendo  liberado para ir para casa. Foi informado que receberia o laudo em 48 horas. Pedro ficou muito ansioso pelo resultado, pois jamais imaginaria que logo em sua primeira consulta seria detectado algo. Ele recebeu apoio de toda a sua família, mas insistiu pelo sigilo sobre o assunto e não contou para os amigos. Mesmo tendo superado o preconceito inicial, ele ainda se sentia constrangido com a situação.

Pedro pediu ao filho mais velho que pesquisasse no Google sobre o câncer de próstata, pois estava aflito e queria saber o que iria acontecer com aqueles fragmentos que foram retirados. O filho informou a ele sobre um amigo patologista, médico especialista responsável pela análise desse material e pelo diagnóstico e disse que iria entrar em contato com o colega para buscar mais informações e sanar todas as dúvidas.

Algumas horas depois, tanto Pedro quanto seu filho foram informados de que os fragmentos retirados passariam por um processo específico e quase artesanal.

Os fragmentos seriam colocados em fixador adequado, com uma solução química composta por uma concentração específica de formol tamponado que preserva as células do tecido retirado até ser encaminhado ao laboratório de patologia. Essa etapa de fixação seria fundamental para os testes que seriam aplicados futuramente à amostra, para determinar o tipo de célula que originou o tumor, assim como definir o melhor tratamento.

No laboratório, as biópsias passariam pelo processamento histológico, em que os fragmentos são submetidos a um tratamento com várias substâncias químicas. No final deste processo, os fragmentos seriam misturados à parafina formando um bloco sólido contendo aqueles fragmentos de tecido. Tudo isso seria feito para que fosse possível colocar cada bloco sólido de parafina contendo o tecido em um equipamento chamado micrótomo, responsável por realizar cortes extremamente finos.

Os cortes, com espessura microscópica, seriam colocados em lâminas de vidro e coradas, o que permitiria ao médico patologista analisar minunciosamente o material em um microscópio e identificar possíveis alterações patológicas, como tumores ou infecções.

Apenas um olhar treinado e especializado poderia identificar essas caraterísticas e gerar um laudo anatomo-patológico, considerado um dos documentos mais importantes da medicina. Com base nisso, o urologista saberia o motivo daquele nódulo que foi sentido ao toque retal e poderia escolher o melhor tratamento para Pedro.

Ele recebeu essas informações e agradeceu ao amigo do filho, que se colocou à disposição para esclarecer mais dúvidas que surgissem. Um pouco mais tranquilo por saber exatamente os processos envolvidos, Pedro não tinha mais nada o que fazer além de aguardar.

Na semana que vem você vai saber mais sobre como o patologista realiza essa análise para chegar ao diagnóstico. Aguarde!

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Esse texto é o segundo de uma série especial em apoio ao Novembro Azul, uma campanha dirigida à sociedade e, especialmente, aos homens para a conscientização da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata.

A história de Pedro é fictícia, mas acontece diariamente com incontáveis brasileiros. A Sociedade Brasileira de Patologia apoia o Novembro Azul!

Fonte: Dra. Kátia Ramos Moreira Leite - Profa. Associada do Departamento de Cirurgia, Disciplina de Urologia, Laboratório de Investigação Médica – LIM55, Faculdade de Medicina da USP, Genoa Biotecnologia.


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