9/9/2016 14:35:09 -  Encontrando um câncer raro

Na última semana, conhecemos a história real de R. (clique AQUI), homem de 38 anos que apresentou inicialmente sintomas semelhantes a uma "virose" após uma infecção corriqueira por conta de uma cirurgia para a correção de hérnia. Porém, R. descobriria na semana seguinte que o caso era muito mais sério. Ao perceber o aumento dos gânglios linfáticos da garganta, sintoma comumente negligenciado, seu médico solicitou uma biópsia, exame que seria fundamental para os fatos que se seguiriam.

 Alguns fragmentos foram extraídos dos gânglios de R. e enviados para um Médico Patologista. Analisando estes gânglios ao microscópio, o patologista pôde observar a presença de muitos linfócitos anormais. Os linfócitos são glóbulos brancos que em situações normais auxiliam na defesa do nosso organismo, entretanto, quando sofrem mutações, podem dar origem ao câncer conhecido como Linfoma. Existem mais de 50 tipos de linfoma, com várias possibilidades de tratamento e cura. Para que a terapia correta seja realizada, é necessário que diagnóstico classificação do linfoma sejam precisos, atribuição exclusiva do médico patologista.

Uma vez identificados os linfócitos anormais no gânglio de R., o patologista lançou mão de uma técnica especial chamada imunoistoquímica. Esta técnica, em conjunto com o todo o conhecimento sobre a doença e sobre o quadro clínico de R., possibilitou classificar o tumor como um Linfoma não-Hodgkin de células T. Em algumas situações, além da imunoistoquímica, o patologista estuda alterações genéticas específicas que permitem definir exatamente qual o subtipo da doença.

Por conta disso, a atuação do “profissional do diagnóstico” foi mais uma vez fundamental, pois possibilitou a escolha da melhor estratégia na luta contra a doença de R. Este profissional estuda pelo menos nove anos para adquirir as habilidades necessárias para realizar este e muitos outros diagnósticos. As etapas médicas desempenhadas pelo patologista são essenciais para determinar o tipo e a extensão das doenças.

Com base nessas informações, sabendo exatamente o tipo de linfoma e o quanto ele já tinha atingido o organismo de R., o hematologista pôde então indicar o tratamento mais adequado e com maiores chances de fazer os linfócitos anormais desaparecerem.

R. nunca imaginou que poderia ter uma doença tão rara e agressiva, mas, mesmo assustado com o diagnóstico, conseguiu juntar forças para encarar o câncer e iniciar o seu tratamento.

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Setembro é o mês no qual é comemorado o Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas (15/09). Esse texto é o segundo de uma série especial sobre a doença, realizada pela SBP em parceria com a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE). A história de R. é real e se repete todos os dias no Brasil. Na próxima semana você vai acompanhar a conclusão desse relato, com o início e o desfecho do tratamento.


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