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8/3 – Dia Mundial do Rim – da prevenção ao transplante

Especialistas alertam: vitais para o funcionamento do corpo humano, os rins merecem atenção dobrada. Embora resista mais tempo para ser transplantado, com uma média de 30 horas, o rim é um dos órgãos cuja fila de espera por doador ainda é longa. Nestes casos o diagnóstico preciso e rápido é essencial para garantir a sobrevida do paciente

Pouco lembrado tanto pela população quanto por campanhas de prevenção, os rins, órgãos vitais para o funcionamento do corpo humano, merecem atenção não só na data em que se celebra o Dia Mundial do Rim (8/03), mas durante o ano todo. O alerta é do médico nefropatologista Marcello Franco, Relações Internacionais da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e Professor titular do Departamento de Patologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp).

De acordo com o especialista, deve-se estar atento aos hábitos de vida, alimentação com objetivo de prevenir de problemas que podem ocasionar desde a invalidação do órgão até mesmo a morte. O médico explica que várias causas têm determinado o aumento de problemas renais, como o envelhecimento da população, a epidemia de obesidade, diabetes, o estresse, hábitos alimentares e o descuido em relação à prevenção e tratamento da hipertensão arterial, sendo este último a causa mais frequente de doença renal crônica (DRC).

Franco explica ainda a DRC é a mais comum causa de transplante do órgão. “Isso ocorre pois os rins do paciente vão gradativamente parando de funcionar, o que gera a invalidação do órgão e a necessidade de tratamentos agressivos como a diálise e hemodiálise e, até mesmo, de um transplante”. No Brasil em 2011 foram realizados 4.957 transplantes de rim, o que equivale a 38% de pacientes que necessitavam realizar o procedimento. Em 2010, foram 4.630 cirurgias para a colocação de um novo rim.

Mesmo sendo um dia de conscientização e apelo a prevenção dos problemas renais, o nefropatologista destaca que o rim está ligado diretamente ao coração e ao cérebro, “porque essas são as doenças mais comuns que determinam a morte das pessoas: acidente vascular cerebral, enfarto do miocárdio e doença renal crônica, neste contexto. A população precisa saber controlar a hipertensão, diabetes, o peso e ter uma vida menos sedentária. Estas são medidas que contribuem para diminuir a incidência e manter a sobrevida adequada, não só dos rins, mas do coração e dos órgãos de uma maneira geral”, orienta Franco.

Critérios de doação

Embora o rim seja o órgão que pode resistir mais tempo para ser transplantado, com uma média de 30 horas, Franco relata que este não é fator de diminuição nas filas de espera. O motivo, segundo o nefropatologista, é a falta de doador e de critérios adequados. “Se o doador tiver mais que 60 anos, entra no que chamamos de critério expandido. O rim já não é tão adequado quanto o de um doador jovem, além de possuir uma sobrevida menor”. O especialista chama a atenção também, para a expansão do número de centros transplantadores e a falta de nefropatologistas, o que torna impossível aumentar o número de transplantes.

“No Brasil há uma falta crítica desses profissionais, principalmente com ênfase em patologia de transplante. Esse especialista tem papel indispensável, pois responde urgentemente o que está acontecendo com o transplante por meio de análises de biópsias: se há rejeição, infecção, isquemia ou outro problema. Isso não é uma resposta que pode ser dada em 2 ou3 dias e sim imediatamente, para que tudo ocorra bem”, analisa Franco.

Motociclistas: doadores em potencial

Grande parte de rins doados provém de doadores falecidos. Motociclistas são doadores em potencial, explica Ricardo Artigiani Neto, do Departamento de Comunicação Social da SBP e professor de patologia da EPM/Unifesp. “Um terço dos possíveis doadores mortos são por trauma encefálico, devido a acidentes de trânsito”. O desafio, porém, é conseguir a aprovação dos familiares para a doação. “Desses casos, só são utilizados 40%. O restante a família nega, alegando, por exemplo, a mutilação do corpo e o retardo do enterro”, esclarece o patologista. Marcello Franco salienta, no entanto, que em casos onde há a aceitação das famílias em relação da doação, o Governo diminui o valor enterro, para estimular a doação. “O ideal seria haver um reforço nas campanhas que além de incentivar a doação, esclareçam as dúvidas da sociedade em relação ao procedimento”, finaliza.

Sobre o Médico Patologista

Patologista é o médico responsável por diagnosticar doenças como câncer e diferenciá-los conforme os diferentes tipos. A precisão do seu trabalho o permite indicar aos clínicos qual o melhor tratamento para cada paciente, de acordo com o seu diagnóstico, evitando que muitas vezes sejam feitos procedimentos e cirurgias desnecessárias. Também é o patologista que faz o tradicional exame feminino papanicoulaou, responsável por prevenir o câncer de colo de útero, considerado o tipo que mais mata as mulheres no Brasil. Eles também são peças-chave nos casos de transplantes de órgãos. São eles os responsáveis por avaliar se o órgão é realmente compatível para ser transplantado e, em caso de rejeição, realiza o exame histopatológico, para decidir os procedimentos adequados para solucionar o problema.



Autor
Equipe SBP
Publicado em
2016/07/19
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